1 de set de 2018

Mover a Montanha


"Observou-lhes Jesus: “Tende fé em Deus! E, com toda a certeza eu vos asseguro, que se qualquer pessoa ordenar a este monte: ‘Levanta-te e lança-te no mar, e não houver dúvida em seu coração, mas crer que se realizará o que pede, assim lhe será feito’. Portanto, vos afirmo: Tudo quanto em oração pedirdes, tenhais fé que já o recebestes, e assim vos sucederá."

Mc 11: 22-24


A fé para mover a montanha todos nós já temos. Se não tivéssemos não buscaríamos a face de Deus.
O que falta então? Precisamos nos perguntar qual seria o propósito de mover a montanha.

Há certa dualidade no significado da montanha para o povo judeu, pois se por um lado a montanha significa o lugar “mais alto”, onde os deuses desceriam para encontrar os homens, além de uma vantagem militar como forma de proteção contra invasões, por outro lado a montanha também significa um grande desafio, pois para passar pela montanha era necessário escalar, o que envolveria muitos riscos, ou dar a volta, o que poderia tornar a viagem muito mais longa. Pensou, nesse contexto simplesmente mover uma montanha e tirá-la do seu caminho?

Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre o fermento dos fariseus ele estava falando sobre fermento mesmo ou era um símbolo? Quando Ele falou para tirar a trave do olho antes de julgar o irmão, ele estava falando de uma trave mesmo no olho? São metáforas do Mestre.

Quando decidimos viver a vontade de Deus, Ele investe pesado, usando pessoas, fazendo acontecerem muitas “coincidências”, muitos encontros e desencontros, idas e vindas, mas tem momentos que precisamos superar uma montanha. A questão principal é ter a fé certa e essa fé precisa ser em Deus, mas não a de que Ele pode fazer, e sim a de que Ele realmente se importa em fazer e fará.

Se o propósito for o de verem a Glória Dele no esforço do aspirante a alpinista, nada de mover a montanha. Se o propósito Dele for o de que você encontre algum samaritano ou samaritana ao passar por Samaria, então nada de tirar a montanha do caminho, mas se o propósito Dele for realizar um milagre tremendo como sinal para que creiam, não duvide, a porção imensa de terra vai se deslocar.
Isso não é acreditar na fé, mas contar com Deus e viver sobrenaturalmente.

"E quando pedis não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres."

Tg 4:3


O problema não está em Deus, é claro, o problema não está na fé que já temos, mas nos falta propósito para vermos a glória de Deus. A Fé que move a montanha é para quem tem propósito, para quem decidiu ser discípulo do Mestre.

23 de ago de 2018

 “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”
Tiago 2:26

Alguém pode dizer então que há uma contradição entre o texto do irmão do Mestre e toda a crença monergista fundamentada nas epístolas paulinas, compreendida nos escritos de Agostinho e posteriormente defendida por João Calvino.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.”
Efésios 2:8

Rejeitando qualquer crença sinergista de que nós, seres humanos, temos algum mérito em nossas decisões benignas, compreendemos que o dom da Fé, é somente concedido por Deus, por sua graça.

Podemos afirmar que os textos de Tiago 2:26 e Efésios 2:8 não se contradizem, mas se encontram, e compreendemos a incontestável manifestação do poder e da salvação do Senhor Deus Todo Poderoso na atitude de fé, ou seja, obediência, vislumbrada diariamente na vida de cada cristão.

Nas palavras de Bonhoeffer (1937), não podemos dizer que “somente o crente é obediente”, sem completar também que “somente o obediente é crente”.

O exemplo mencionado por Bonhoeffer é o do jovem rico que se aproxima do Mestre e indaga sobre como fazer para ser salvo e a resposta de Jesus é resumida em obediência ao mandamento enérgico de se desfazer de seus bens e então segui-lo.

A questão que o jovem tentou levantar era uma forma de autojustificação pela incompreensão da salvação por meio do cumprimento dos mandamentos e ainda uma forma de começar uma discussão filosófica, ética e sem compromisso, mas quando ele foi surpreendido pelo chamado à obediência, encurralado, recuou por ser muito rico e apegado aos seus bens materiais. Mal sabia ele que vender os bens e doar aos pobres seria muito mais fácil do que o mandamento seguinte, de seguir os passos do Messias.

Concluo que a Fé genuína produz a obediência e a obediência é além de uma prova, uma porta que abrimos para vivermos um relacionamento íntimo e sincero com Deus, livre de qualquer espiritualidade barata e emocional, um caminho para a Vida Eterna que só Jesus concede e concede somente aos seus seguidores, chamados seus discípulos.