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5 de nov. de 2020

Os tipos de Sermões e as partes da Prédica

Há muitas formas de se comunicar uma mensagem, seja por meio de recursos audiovisuais, apresentações artísticas como danças e teatro, mas a mais tradicional e bem sucedida de todas é a prática da comunicação verbal, por meio dos sermões, da pregação da Palavra falada diretamente para os ouvintes de uma comunidade. 

Atualmente estão em evidência os sermões textuais e os expositivos, sendo que os textuais se restringem a um texto curto da Bíblia, que será orbitado pelas ilustrações e argumentos do pregador do início ao fim da mensagem, já o sermão expositivo não se restringe a um pequeno texto, ao contrário, ele contemplará sempre mais do que três versículos e por conta disso não permitirá um trabalho minucioso sobre todas as palavras empregadas no sermão, será necessário escolher bem os comentários e os esclarecimentos, mas é o tipo de sermão considerado de maior exigência de preparo, é um sermão que primeiro impactará o pregador, que o levará a orar mais, estudar mais e se tornar cada vez um pregador melhor. 

Os sermões temáticos ao contrário, não se restringem aos textos bíblicos, mas normalmente utilizam textos bíblicos para chancelarem o que se está sendo explicado como uma verdade bíblico-teológica, mas existe o perigo de o pregador não se referenciar pela Bíblia e não falar algo que realmente alimente os ouvintes, se ater a assuntos do cotidiano, lidos em jornais ou mesmo experiências pessoais. 

Espera-se do pregador um sermão estruturado com uma introdução feita sempre com oração e leitura do texto bíblico, na sequência o que é chamado de exórdio, quando o pregador atrairá a atenção dos ouvintes. Se o pregador não for eficiente na parte do exórdio, dificilmente terá a atenção das pessoas até a conclusão da pregação. Em seguida se faz a explicação do texto bíblico e então se conclui a introdução com a proposição que é a proposta do sermão. 

Após a introdução o sermão segue com o seu corpo argumentativo, quando as questões abordadas na proposição serão minuciosamente respondidas e a isso chamamos de desenvolvimento. 

Outra parte importante para dar fluência e clareza ao discurso é a frase de transição porque ajuda a subdividir o desenvolvimento para se obter uma compreensão mais profunda. Essas frases não precisam ser enunciadas pelo pregador, mas o ajudarão a organizar o sermão. 

A conclusão ou peroração deve ser cuidadosamente preparada para que os ouvintes entendam o objetivo da pregação, “a moral da história”, uma argumentação que responde as questões abordadas durante a proposição e o desenvolvimento. Outra parte importante na conclusão é uma breve recapitulação e a apresentação de desafios que sejam relevantes para os ouvintes.

23 de out. de 2020

O desafio para os pastores no século XXI

Ao refletirmos sobre os desafios para os pastores do século XXI nos deparamos com o cenário desfavorável, em parte devido posturas inadequadas de pastores que cometeram seus erros como qualquer ser humano, mas que infelizmente suas falhas são expostas para todos enquanto muito mais líderes fizeram um trabalho exemplar, mas suas histórias são desconhecidas do grande público e seus feitos em meio a tanto sacrifício são esquecidos. Isso ocorre porque a sociedade em geral criou certa resistência à religião e aos assuntos que dizem respeito ao além, post mortem, ao etéreo, imaterial. É uma sociedade materialista, impaciente, que exige resposta rápida e que escolhe seus conteúdos em poucos cliques. 

Segundo “Fisher (1999) o cenário é de crise no ministério pastoral, pois as comunidades nas quais os pastores trabalham já não valorizam mais o empenho, assim como a sociedade já não respeita mais a Igreja e o ministério pastoral como antigamente. Os pastores prestam um serviço para um mundo que já não o deseja mais. Pastores são um anacronismo em meio a uma cultura secular. Até os membros das Igrejas estranham seus pastores”. 

Esse cenário somado ao desgaste emocional que os pastores naturalmente sofreriam por lidar com pessoas e as pressões em liderar e administrar suas congregações têm refletido de maneira extremamente negativa e as notícias que temos conhecimento são de pastores desistindo do ministério, sofrendo com depressão e até mesmo recorrendo ao suicídio. Um problema que precisamos enfrentar de olhos abertos e sabendo diferenciar os casos de doenças crônicas devido problemas puramente biológicos como distúrbios mentais entre os casos motivados por situações de stress e falta de assistência. 

Conforme pesquisa no Instituto Francis Schaeffer, 71% dos pastores sofrem com depressão e esgotamento semanalmente ou diariamente. 75% dos pastores sentem que são incompetentes e/ou mal treinados por seus seminários para liderar e gerenciar a Igreja ou para aconselhar os outros. Isto deixou-os desanimados em sua capacidade de pastor. A pesquisa ainda aponta que 1500 pastores deixam o ministério a cada mês devido ao fracasso moral, esgotamento espiritual ou algum conflito em suas igrejas. 

O Livro o Monge e o Executivo, “Hunter (1998), conta a história de líderes que se reúnem para conversar sobre uma boa liderança e em certo diálogo é retratado o perfil ideal de um líder para a atualidade, dentre as características estão a honestidade, confiabilidade, o bom exemplo, cuidados, compromisso, ser um bom ouvinte, tratar as pessoas com respeito, encorajar, ter uma atitude positiva e gostar de estar com pessoas, ainda nesse diálogo um líder religioso afirma que se não for dessa forma não será possível manter a sua congregação unida a ele.” 

Essas características são admiráveis e a pessoa com tais atributos certamente terá uma grande quantidade de pessoas à sua volta e dispostas a segui-la. De outra forma, se apoiando em hierarquias de instituições, argumentos como o de que é um “ungido do Senhor”, apelos emocionais ou manipulação, as pessoas simplesmente se vão na expectativa de seguir alguém melhor e não é de surpreender que possam encontrar alguém melhor preparado, mais admirável, no entanto, não perfeitos. Não podemos exigir dos pastores perfeição, assim como os pastores não devem exigir de seus liderados perfeição. Enfim são apenas pessoas, mas todos nós somos capazes de observar quem está se esforçando para tonar-se uma pessoa melhor e quem simplesmente não faz questão. 

Não significa que a receita bíblica esteja em desuso, significa que uma releitura para a atualidade é necessária além de estar conforme Primeira Timóteo três, versículos de um a sete: 

Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo. 

Numa sociedade em que a informação e os conteúdos estão circulando tão rápida e livremente é praticamente impossível conter a debandada de pessoas de instituições retrogradas e limitadas. Ao passo em que Igrejas tradicionais, conservadoras e indispostas para o diálogo se esvaziam, outras Igrejas sob lideranças atualizadas, melhor preparadas e menos engessadas estão lotadas e precisando fazer rodízios em suas reuniões, pois de outra forma não comportariam o número de membros em suas comunidades.

19 de out. de 2020

A importância da resiliência para os conselheiros religiosos

A importância da resiliência no aconselhamento pastoral não pode se resumir à pessoa assistida durante o aconselhamento, a pessoa mais frágil e que precisa de apoio. É preciso pensar no todo, afinal, todos são pessoas e o pastor que se dedica a atender pessoas em situações adversas pode ser sobrecarregado pelos problemas alheios, pois um mesmo pastor pode estar lidando com dezenas de situações que exigem saúde física, psíquica e espiritual. Segundo Frankl (2007) o ser humano tem essas três dimensões que precisam estar em equilíbrio. 

Essa tricotomia só poderá ser mais bem compreendida pelo conselheiro religioso, pois pessoas sem formação religiosa não poderão atender a necessidade de resolução de problemas relacionados ao esforço humano para estar em equilíbrio, por exemplo, diante do desânimo, da incerteza e insegurança ocasionados pela falta de fé. Esse é só um exemplo das diversas formas de sofrimento relacionadas à espiritualidade dos seres humanos. 

Aconselhamento Pastoral
O aconselhamento pastoral deve servir como uma forma de ajudar pessoas que estão precisando de direcionamento, mas também é uma forma de socorro para pessoas que podem estar correndo perigos mortais, como por exemplo, desejos suicidas. A pressão é grande sobre as pessoas que lidam com esse tipo de compulsão e patologia. 

Essa pressão tende a causar transformações no conselheiro e isso não é necessariamente ruim, caso o conselheiro seja resiliente, se adapte às novas informações, se mantenha firme em suas convicções religiosas, encontre uma maneira de equilibrar as emoções e por último, mas não menos importante, cuide de sua saúde física. 

O cuidado com a espiritualidade consiste em não ser inconsistente em suas resoluções, manter uma rotina de oração, leitura da Bíblia, leitura de demais literaturas que possam servir de apoio, comunhão com a família, com o grupo religiosos do qual faz parte e também a comunidade onde está inserido, sejam vizinhos, colegas de trabalho, escola ou hobbys. 

A saúde psíquica da pessoa vocacionada para o aconselhamento precisa ser observada nos sintomas que significam perigo, mas também precisam ser tomados cuidados como prevenção para evitar que determinada experiência seja destrutiva, demasiadamente dolorosa ou ainda traga prejuízos em outras áreas de atuação do conselheiro, bem como, seus relacionamentos pessoais, conjugais e familiares. 

Segundo dados do Instituto Schaeffer, dos Estados Unidos, 70% dos líderes religiosos lutam constantemente com a depressão, 71% estão esgotados física e mentalmente, ainda dados da pesquisa apontam que 80% dos líderes religiosos acreditam que sua função pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo. 

Sem amigos, pressionados pelas obrigações familiares e preocupado com todos os membros de sua comunidade e seus familiares, lidando com enfermidades, situações de vulnerabilidade social, diante de situações traumáticas, lidando com os egos e conflitos internos, além é claro do aconselhamento pastoral, ser pastor é um trabalho perigoso. 

Resiliência é vital para os líderes religiosos e a tarefa do aconselhamento pastoral deve se estender também ao conselheiro por meio de redes de apoio, um conselheiro para conselheiros, um ouvinte para ouvintes, um “ombro amigo” para os “ombros amigos”, um apoiador para os apoiadores. 

Há uma cultura de se ignorar os sofrimentos dos pastores e em alguns círculos o pastor que se atrever a fazer queixas será malvisto. É um problema porque impede muitos conselheiros dedicados e que já ajudaram tantas outras pessoas a suportar as suas cargas e que agora quando estão debilitados são abandonados à própria sorte. Os líderes religiosos sofrem pela falta de empatia. 

Toda essa falta de consideração com os pastores e conselheiros religiosos em geral, no entanto, não afetam sua disposição para os cuidados pastorais, essa característica está ligada ao que dá sentido às suas vidas, seu propósito, sua vocação, que é o cuidados dos outros. 

Segundo a sistematização de Viktor Frankl, chamada de logoterapia, ao analisar o comportamento de pessoas que diante de situações horrendas ficavam deprimidas e/ou se suicidavam, enquanto outras se mantinham firmes em suas resoluções, constatou que o interesse principal do ser humano não é encontrar o prazer ou aliviar a dor, mas encontrar um sentido para a vida (Guia de Estudos, 2º Semestre de 2017, p.68). 

Embora estejamos alarmados com o crescente número de líderes religiosos que cedem diante das pressões e se suicidam, podemos afirmar que são as melhores pessoas para aconselharem e cuidarem de outros, pois encontraram um propósito e agora podem ajudar pessoas em crise a também encontrarem seu propósito. 

Nosso trabalho agora é de conscientização de que pastores e pastoras são apenas seres humanos e também precisam de apoio e compreensão enquanto lidam diariamente para serem resilientes e não se deixarem deformar diante de toda a pressão que sofrem.

13 de out. de 2020

A falência pessoal e comunitária pela falta de propósito

Um dos motivos para a falência pessoal na atualidade é a falta de propósito, não saber qual é sua vocação e assim não ter um sentido para sua vida. Esse fenômeno chamado crise existencial afeta o ser humano especialmente quando ele não tem mais uma urgência ou emergência pessoal ou comunitária, por exemplo, uma crise financeira, enfermidade, problemas familiares, violência, entre outros. Todos esses infortúnios são um oponente contra o qual lutamos bravamente até que não precisemos mais, então, quando não se tem mais que sobreviver, começa a crise existencial. 

Na história da Igreja e do pensamento cristão não é muito diferente, pois enquanto era perseguida por judeus e romanos nos seus três primeiros séculos resistia bravamente enquanto anunciava as maravilhas de Deus onde estivesse presente. Quando a perseguição findou após o Édito de Milão no século IV a Igreja começou a se conformar ao seu mundo, e assim foi durante a Idade Média, com suas missões colonialistas, exploratórias e políticas. 

Após a Reforma Protestante de 1517 a Europa experimentou novamente o sabor e a iluminação de uma Igreja novamente centrada em Cristo, não perfeita, ainda cheia de subversões, mas voltando para o prumo, a vocação, propósito e chamado para o qual fora eleita. 

Segundo a análise exegética de Blauw (1966), do texto da Primeira Epístola do Apóstolo Pedro, no capítulo dois, nos versículos nove e 10, Deus chamou a Igreja, que somos todos nós cristãos de todos os séculos, das trevas, em sua desordem e falta de propósito, para sua luz, e nos deu títulos, tais como sacerdócio real, geração eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas Dele, sendo assim, quando aqueles que se consideram Igreja não cumprem a Missão, automaticamente perdem seus títulos e não devem mais considerarem-se povo de propriedade exclusiva de Deus, sacerdócio real, geração eleita e nação santa. 

A Igreja atual está parcialmente moldada conforme os anseios da sociedade, ganho de capital, segurança patrimonial, imediatismo e status. Mesmo denominações com trabalhos de expansão não conseguem esconder seu interesse em anunciar os seus números de templos, pessoas, arrecadações, tudo posses, tudo da Igreja. Em seus anúncios são ofertados milagres financeiros, são vendidas curas e mais bençãos sobrenaturais. Renunciaram seus títulos e não são mais povo de Deus, ainda assim acreditam que Deus pertença a eles e assim sendo o oferecem como um produto. 

A Igreja passa por uma crise existencial terrível e nesse contexto muitas pessoas que não estão em busca de alento para suas aflições pessoais também não encontram nela propósitos, por isso o fenômeno chamado “desigrejados”, pessoas que não vêm sentido em congregar, não querem um produto, não estão desesperados por cura ou sucesso financeiro, mas são carentes de ouvir sobre as maravilhas de Deus e de pertencerem a Ele. 

Pedro revela que Deus demonstra uma possessividade para com seu povo quando escreve: “Mas vocês são um povo escolhido, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo pertencente a Deus” (2.9).20 Com um a referência a Oséias 2.23, Pedro declara que os leitores que, no passado “não [eram] povo”, passaram a ser chamados de “povo de Deus” (2.10), isto é, Deus lhes deu um novo nascimento. (Kistemaker, 2006, p21) 

Ao pensarmos na Obra que nos foi confiada como Igreja, há uma inversão de valores, sendo que a Igreja não possui nada, assim como não possui Deus, também não possui a Missão, ao contrário, Deus possui a Igreja na medida que a Missão também possui a Igreja. Quando a Missão de Deus, Missio Dei, possui a Igreja e todo o trabalho que é executado por amor a Deus é planejado como tarefa intrínseca ao sentido de a Igreja existir, a isso podemos chamar de propósito, sem o qual não faz sentido algum congregar, pois deixamos de ser Igreja no sentido de povo de propriedade exclusiva de Deus e passamos a ser apenas igreja, no mesmo sentido do grego eklesia, apenas mais um ajuntamento. 

Pedro escreve para pessoas que estavam vivas antes da destruição do templo de Jerusalém. Ele próprio um judeu, Pedro se dirige a muitos cristãos judeus e cristãos de descendência gentia. Além disso, ele fala aos crentes de todas as épocas e lugares que lêm sua epístola. Conhecendo muito bem o Antigo Testamento, Pedro aplica as palavras dessa parte das Escrituras aos seus leitores, porque ele os vê como povo escolhido por Deus. Ele toma emprestada a profecia de Isaías, que registra as palavras do Senhor: “Ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.20,21). Pedro, portanto, vê os crentes como corpo de Cristo, isto é, a igreja. (Kistemaker, 2006, p.126) 

Nossa tarefa principal como Igreja é anunciarmos que é chegado o Reino de Deus e isso nós podemos fazer tanto por meio de textos, vídeos, áudios, por meio das artes, de maneira criativa, pela internet, pessoalmente, dentro e fora dos templos, em nossos locais de trabalho, escola, nossa comunidade, vizinhança, mas precisa ser essencialmente pelo nosso exemplo. 

10 de jul. de 2019

“O pastor precisa ter o cheiro das ovelhas” e agora as ovelhas estão na internet

Líderes religiosos conformados com a falta de conhecimento ou sem interesse pelo desconhecido têm sido defendidos com conceitos sem fundamentos, baseados na compreensão incorreta de textos bíblicos como, por exemplo, 2 Coríntios 3:6 em que o Apóstolo Paulo escreveu “Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”. O texto se refere ao juízo instituído na Lei Mosaica e não no conhecimento em geral, mas essa compreensão só pode ser feita por meio do estudo, algo refutado por quem acredita que o conhecimento é prejudicial à fé. 

Igrejas estão se esvaziando pela incapacidade dos ministros de se atualizarem e acompanharem as mudanças, seja no que diz respeito à Teologia, Ciência, Filosofia ou mesmo questões simples do dia a dia, pois agora a informação está ao alcance da comunidade em geral, muitas vezes na palma da mão. Em comunidades mais simples a barreira que separa o “pastor” de suas “ovelhas” é a resistência à revolução digital. Existe certa dificuldade de adaptação devido a pouca prática ou mesmo um saudosismo pelos bons tempos passados, digo isso sabendo que as memórias tendem a se embelezar e por isso é sempre nostálgico lembrar-se das longas conversas em bancos de praça ou mesmo tomando um café em uma sala aconchegante com bons amigos, bem diferente da fria e distante relação por meio das telas. 

O que não é percebido é que para ter uma informação antigamente era preciso ir a uma loja comprar um bom livro, ou mesmo se deslocar até uma biblioteca para pesquisar, diferentemente hoje podemos pesquisar no lugar onde estamos e em apenas alguns minutos ter as respostas. Nesse ambiente atual, torna-se indesculpável a falta de conhecimento dos líderes e a rejeição pelos novos mecanismos de pesquisa e formação do conhecimento.

As definições de líder foram atualizadas e já não são admitidas posturas autoritárias, possessivas e desinformadas, por isso há um abismo separando a geração anterior de líderes da atual geração que está sendo formada. Isso será prejudicial para todos, pois há a necessidade do aconselhamento e mentoreio dos novos líderes por parte dos líderes mais experientes. No entanto, as lideranças mais antigas não tem facilidade em agraciar os “novatos” com sua experiência de vida, uma vez que não se reconhece autoridade na juventude, isso é um problema evidente nas Igrejas, pois nas empresas e mesmo na política os jovens já lideram e são muito bem sucedidos. Precisamos permitir que a juventude esteja alinhada com a liderança da Igreja, caso contrário continuará a debandada de membros das Igrejas pra outros ambientes de convivência contemporâneos e julgados mais interessantes.

Há, é claro, muitos líderes antenados com as mudanças, homens e mulheres maduros e que estão presentes nas redes sociais, participam de conversas sobre política e mesmo questões do dia a dia, sem nenhuma pretensão de parecerem mais espirituais, são abertos ao diálogo, prontos também para ouvir e não apenas para falar e que não se julgam acima dos demais. É exatamente o tipo de líder que se espera seguir na atualidade. 

Estes são os que estão preparando novos líderes para as novas gerações, dispostos a aprender e melhor ainda a compreender, seja o diferente, seja o opositor, ou mesmo conceitos que possam parecer insignificantes para uma pessoa comum, mas para o líder atualizado o saber é uma prioridade. A liderança não pode ignorar questões epistemológicas, sendo que é impreterível refletir sobre os por quês em nossa existência, seja como indivíduos ou como sociedade, questionar-se sobre sua vocação, sobre a vocação das pessoas que estão a sua volta e até mesmo sobre a vocação da Igreja, sem hipocrisia ou fantasia de uma sociedade terrena perfeita, ponderando inclusive sobre a ética e sobre a moralidade e não apenas repetindo o que foi dito anteriormente.

O diálogo deve estar sempre aberto com o conhecimento científico, mas sem compromisso de comprovação das verdades teológicas, pois não é possível realizar experimentos que validem a teologia, uma vez que a teologia abarca as questões do “além”, também chamada metafísica, no entanto, é possível conciliar questões teológicas como a Cosmologia com as descobertas científicas contemporâneas ou mesmo questões Escatológicas relacionadas aos mais recentes avanços tecnológicos. São apenas exemplos de conciliação e as pessoas estão ávidas por esse tipo de informação para ampliarem sua compreensão sobre a fé.

Não é necessário passar a se comportar como um youtuber para entreter os fiéis da nova geração, mas a compreensão do momento em que vivemos, estar contextualizado e não alienado, é fundamental para a comunicação do ministro com os membros da comunidade. Para tanto o líder religioso precisa estar constantemente se comunicando com seus liderados, seja pessoalmente, por rádio, televisão, internet ou mais precisamente mídias sociais, onde as pessoas passam boa parte de seu tempo.