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3 de nov. de 2020

A importância da Teologia para os pastores

Para pastorear pessoas é fundamental estar habilitado, pois apenas vontade e amor não serão suficientes quando for necessário tomar decisões em momentos difíceis como, por exemplo, confrontar pessoas, situações de injustiça, erros de seus pares também pastores, entre outros posicionamentos que irão requerer autoridade e assertividade. 

Há situações no cotidiano que não permitirão voltar atrás, ignorar, não dizer nada, não aconselhar, se isentar, para tanto, estar preparado é fundamental no ministério pastoral. A práxis pastoral passa pela teologia que abarca as mais diversas abordagens possíveis e necessárias no preparo de líderes respeitáveis, relevantes, interessantes e consequentemente bem sucedidos em seus trabalhos. 

No momento de aconselhar os membros de sua comunidade que estão com problemas pessoais o pastor bem formado em teologia terá, por exemplo, conhecimentos sobre os estudos de Sigmund Freud e Viktor Frankl. 

Caso precise refletir sobre questões existencialistas poderá dialogar baseando-se no que aprendeu sobre Soren Kierkegaard e Martin Heidegger. 

O pastor que abraçou a teologia também conhece a história da Igreja, sabe bem sobre os erros e acertos dos pais da Igreja, por exemplo, as ideias de Irineu de Lion e Eusébio de Cesareia que fundamentaram a preeminência do Vaticano, ou ainda os acertos de Agostinho de Hipona ao resgatar o assunto da Graça Salvadora. Enfim, esse pastor ciente dificilmente será conduzido pelo caminho errado. 

A Teologia, por meio da exegese, oferece instrumentos para aprimorar a análise e compreensão dos textos bíblicos, oferece também conhecimentos sobre hermenêutica e conduzem o aspirante a pastor pela trilha para conseguir comunicar as verdades bíblicas de maneira clara, compreensível, correta e livre dos vícios de linguagem, da falta de reflexão, dos equívocos de interpretação, do anacronismo, entre tantos outros riscos que corremos ao aceitarmos a responsabilidade de fazer um sermão em uma de nossas comunidades. 

Porém, um ministério pastoral equipado e fortalecido por esta geração deve ter um fundamento bíblico e teológico adequado. A metodologia sem uma base adequada é perigosa e, em última análise, sem poder. Em outras palavras, seria melhor que entendêssemos a nossa identidade, antes de começarmos a lidar com o trabalho da Igreja e do ministério no mundo atual. Não nos atrevemos a estabelecer funções pastorais fundamentadas em modelos humanos, pois realizaremos pouco para Deus. (FISHER, 1999, p.8) 

A especialização para o pastor passa pela Teologia, pois não adiantará lançar-se ao desafio sem conhecer corretamente as escrituras e toda a compreensão dela ao longo de nossa história. Seria semelhante ao médico que ignorasse as mais recentes descobertas da medicina e ainda dependesse de tentativa e erro para descobrir quais as melhores práticas em sua função. 

Também não é apenas um trabalho de oratória, facilidade de falar em público, pois para falar com propriedade é necessário refletir e compreender assuntos complexos e saber quais foram as conclusões de homens capazes do passado, versados nos idiomas originais dos textos bíblicos. 

Estratégias de marketing não serão a base de nenhuma Igreja, pode ser útil como uma ferramenta, mas não será isso que definirá se uma Igreja é saudável, fiel e que “produz um bom fruto”, ou seja, relevante em nossa sociedade. 

É por conhecerem pouco sobre Teologia e consequentemente sobre a função pastoral que pastores despreparados cometem uma série de erros primários ao se importarem com questões que não são de sua responsabilidade, quando intervém, por exemplo, em decisões pessoais de membros de suas comunidades, quando exigem determinado padrão de vestimenta e até mesmo corte de cabelo e barba, comportando-se de maneira semelhante a ditadores de terras distantes. 

Sobre a falácia de que o conhecimento é prejudicial a fé, afirmo que ela vai contra todo o esforço evangelístico desde a Grande Comissão, acreditar por ignorância é uma prisão e sobre isso “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32) O saber também não deve ser compreendido como soberba ou arrogância, citar bons teólogos do passado não deve ser visto com maus olhos, ao contrário, precisamos valorizar todo o desenvolvimento cristão nesses cerca de dois mil anos de labor teológico.

30 de out. de 2020

A Igreja e a Missão são inseparáveis

Somos a Igreja quando assumimos a responsabilidade confiada a nós como Igreja, tal como a perícope no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículo de 18 a 20: 

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! 

As últimas instruções de Jesus aos seus discípulos continuam sendo nossas últimas instruções e assim devemos proceder, anunciando as verdades sagradas por toda a Terra até o fim. Uma primeira observação é de que a compreensão da Grande Comissão esteve incorreta por um longo período de tempo enquanto se pensava que essa missão era estritamente transcultural, hoje temos a clareza de que mesmo no local onde estamos fixados, seja onde for, assim que nos tornamos Igreja, ou seja, parte do Corpo de Cristo, automaticamente estamos em meio a Missão. A questão é se vamos cumprir a missão ou não. 

Segundo Blauw (1966) a Igreja é testemunha de Cristo no mundo, ou então não será Igreja obediente a Cristo, trata-se da natureza missionária da Igreja, e isto deve ser feito sem ter como base os confins da Terra, sendo que o componente geográfico não é determinante para a Missão, esse foi um pensamento muito forte nos séculos XVIII e XIX. 

Compreendemos que o foco na missão transcultural teve e tem uma importância vital para a Igreja, precisamente, não podemos abandonar a missão transcultural, pois seria um novo erro, a Missão deve ser completa, a questão geográfica não deve ser vista como fator restritivo para a Missão, só assim será um componente legítimo. 

Existem muitos obstáculos para a Missão transcultural, tais como a opressão islâmica que não permite a conversão ao Cristianismo, ou ainda grupos radicais como Boko Haran que perseguem vilarejos cristãos na África Subsaariana, ateiam fogo em Igrejas e sequestram cristãos. Em países asiáticos é comum os governos restringirem a pregação do Evangelho, proibirem a leitura da Bíblia inteira ou parte dela, por motivos políticos via ideais do Comunismo Marxista ou por razões religiosas e culturais. 

Outra questão é o abandono das localidades onde a Igreja já está instalada, sem prestar qualquer auxílio à comunidade, não fazendo qualquer diferença em meio a suas atividades corriqueiras, repetitivas e sem impacto na sociedade. É um perigo muito grande a comunidade de fé estar à margem da sociedade, atribuindo para si um status de separada por ser sagrada, deixando de ser sal e luz, enfim deixando de ser a Igreja. 

Não importa se deixamos de atuar na missão no contexto local ou se deixamos de atuar nas missões transculturais. “Uma motivação baseada na autoproteção não nos conduzirá à Grande Comissão, mas sim a uma grande omissão (Borges, 2007)”. 

A princípio parece fácil a ação de fazer a diferença em sua cidade, seu bairro, local onde muitas pessoas te conhecem, mas a realidade é bem diferente, pois onde te conhecem também te julgarão pelo seu passado, podem inclusive não te respeitar por ações de antes de se posicionar como cristão, ou mesmo por ações quando já se apresentava como cristão, afinal de contas, não somos perfeitos. 

A falta de atenção na localidade ou um trabalho pouco relevante podem tornar um local outrora cheio de cristãos e de pessoas em recuperação num local sem qualquer fonte de esperança, compaixão ou acolhimento, um lugar sem fé, que dependerá novamente de uma missão transcultural vinda de longe para resgatar os valores e as virtudes cristãs. Seja na missão transcultural ou numa ação local, a verdade é que precisamos nos expor e isso é desconfortável, perigoso, desgastante, e ao mesmo tempo é o que nos faz sermos Igreja.

28 de out. de 2020

A Bíblia fazendo parte de nossas vidas em comunidade

Leitura bíblica no cotidiano da comunidade
A leitura da Bíblia é a principal diferença entre cristãos e não cristãos, pois não poderíamos nos diferenciar sem o nosso instrumento de fé. No entanto é importante nos aproximarmos dos textos da maneira correta. 

Há comunidades em que ao citar às escrituras sagradas recitando seus textos e indicando sua localização por livro, capítulo e versículo, você é bem visto. Essa não pode ser a nossa única motivação para lermos a bíblia. 

A Bíblia deve fazer parte do nosso cotidiano, na medida em que nossas atitudes refletem o conhecimento sobre os ensinamentos contidos nela. 

Deixar a bíblia aberta em uma página como um item de decoração não é errado, mas não a ler é um grande desperdício, no entanto, dizer frases como “na Coreia do Norte não tem Bíblias, então vamos valorizar as nossas” também não fomentará a leitura da Bíblia. Para isso precisamos compartilhar a bíblia em nossa transformação pessoal, em nossa sabedoria para tomarmos decisões, nosso ânimo diante das adversidades, entre tantas outras diferenças que a Palavra de Deus faz na vida dos cristãos. 

É importante pensarmos que o Cânon foi definido para ser um dos pilares que sustentariam a ortodoxia e impediriam as heresias, mas mesmo assim as lideranças religiosas do passado, especificamente durante a Idade Média, tomavam suas decisões ignorando completamente os textos sagrados e se comportavam como se tivessem mais autoridade do que eles, por isso uma das cinco Solas foi fundamental para a Reforma Protestante de 1517, Sola Escriptura, retoma o assunto da importância da Bíblia como luz para nossos caminhos. 

Outro erro terrível da Idade Média foi aprisionar a Bíblia no Latim, idioma que passou a ser inacessível, assim como já eram inacessíveis o grego e o hebraico, outras línguas nas quais já havia traduções dos textos, mas também incompreensíveis. As traduções para o inglês dos pré-reformadores John Wyclif e William Tindale foram cruciais para nosso avanço assim como a tradução de Martinho Lutero para o alemão. 

Atualmente em nossas comunidades ainda há a barreira da dificuldade de interpretação de texto, além de em certas versões ser impossível para muitos a compreensão de termos pouco verbalizados ou ainda outros arcaicos. 

Avançamos muito com novas versões com vocábulos mais simples e por isso o acesso à Bíblia está se tornando cada vez mais fácil, no entanto é necessário trazermos a Bíblia para o cotidiano, libertá-la de ser um conteúdo exclusivamente litúrgico ou para ser estudada academicamente. 

A Bíblia pode e deve ser assunto em nossas casas, nos nossos trabalhos, escola, com vizinhos e nessa troca de informações sobre a Bíblia certamente todos nós ganharemos, primeiro pelo conteúdo que é transformador e também por estarmos reforçando laços de amizade e estabelecermos uma espécie de discipulado mutuo, um companheirismo entre os cristão tendo como vínculo principal a Palavra de Deus. 

Acerca da acessibilidade das escrituras hoje podemos ler a bíblia em nossos smartphones com consultas ao dicionário, localização de textos por pesquisa de termos, ouvir o áudio ao invés de lermos e ainda podemos compartilhar os textos facilmente em nossas mídias sociais. Certamente os pré-reformadores não imaginavam que um dia chegaríamos a esse patamar, eles não imaginavam sequer a invenção da imprensa no século XV que possibilitou a produção de bíblias aos milhares, pois antes da imprensa eram necessários copistas para fazerem cada manuscrito um por um. 

Em nossas comunidades é comum a restrição ao uso do celular como forma de ler a bíblia para prevenir-se de distrações e descontrole do ambiente de culto, mas o momento é o de fomentarmos a leitura e o compartilhamento das escrituras sagradas em todas as mídias, especialmente na mídia mais utilizada em toda a Terra, o celular. De tempos em tempos, menos barreiras e mais possibilidades para a Bíblia.

15 de out. de 2020

O voto de pobreza e o dom de ser generoso

O desapego aos bens materiais ensinado por Jesus de Nazaré é uma inovação religiosa diante da história das religiões que geralmente pregam o acúmulo de riquezas como uma dádiva divina. Nas palavras do messias Jesus Cristo “não devemos juntar tesouro na terra, onde tudo pode ser perdido, ao contrário, devemos juntar tesouros na eternidade, é muito melhor ter o coração na eternidade e não se deixar corromper pela corrupção terrena (Mateus 6:19-22). 

Mediante esse ensinamento os discípulos e a Igreja do primeiro século dedicaram-se a investir seus bens materiais para a manutenção das comunidades cristãs, assistência aos órfãos e às viúvas e em prol do avanço das missões evangelísticas, num modelo exemplar de desapego aos bens materiais. Houve também excessos, por exemplo, pessoas que para aparentar o desapego aos bens materiais fingiam que estavam doando tudo o que tinham quando na verdade estavam retendo parte, numa mostra do potencial para a deturpação do princípio do desapego enquanto ostentação e orgulho de uma aparente piedade. 

No século IV com o fim da perseguição religiosa imposta pelos romanos, a construção de templos suntuosos e a profissionalização dos religiosos o desapego deixou de ser uma característica da Igreja, agora uma instituição, ao contrário, acumuladora de riquezas terrenas. Nesse contexto de ignorância do ensino messiânico e da forma de ser igreja do primeiro século, tanto a Igreja como as sociedades cristãs europeias se desenvolveram sem observar a injustiça social e o abuso cometido pelos detentores das riquezas. Assim, no século XII, o monge São Francisco, em Assis, começa um movimento pacífico de enfrentamento às injustiças cometidas pelas elites de sua época, recusando qualquer vínculo aos negócios terrenos, numa atitude de contemplação e dedicação a vida religiosa. 

Esse modo de ser franciscano era subsidiado pelos cidadãos europeus que observando a dedicação dos monges faziam ofertas para o sustento das suas obras. Os monges por sua vez não acumulavam riquezas, não possuíam terras e se dedicavam a evangelização. 

No século XVI, outro movimento, a Companhia de Jesus, tendo entre seus fundadores o Santo Inácio de Loyola, começou também um trabalho de expansão da fé católica. Esses chamados Jesuítas, também tinham entre seus valores o voto de pobreza e tal como os franciscanos se mantinham com as esmolas dos fiéis. 

Durante o período de colonização do Brasil, ambas as missões trabalhavam entre os colonos e os nativos, no entanto, não havia cidadãos abastados para sustentar o avanço das missões e como todos os indígenas deveriam ser ensinados o investimento necessário era alto. 

Os jesuítas para resolverem o problema foram pragmáticos, não rejeitaram a oferta de mão de obra escrava e acumularam muitos escravos cedidos pela Coroa Portuguesa. Também não seguiram as regras dos fundadores da ordem, de se absterem dos negócios e viverem das ofertas e passaram a lavrar a terra e possuir animais para comércio. Decidiram deixar de lado um dos valores dos fundadores da ordem conforme as palavras do Padre Manoel da Nobrega “E temo que fosse esta grande invenção do inimigo vestir-se de santa pobreza para impedir a salvação de muitas almas” (Nóbrega, 1955: 393). 

Os franciscanos foram rígidos e mantém até a atualidade o prestígio do voto de pobreza. 

Para nós, religiosos do século XXI, o voto de pobreza é romantizado por alguns, ridicularizado por outros e pouco compreendido pela maioria. 

As sociedades da atualidade, cristãs ou não, no ocidente voltaram a vincular o acúmulo de riquezas à benção divina e como se Cristo não tivesse dito nada a respeito do assunto, as Igrejas, não todas, simplesmente ignoram o texto e ensinam o contrário, enquanto constroem templos suntuosos e adquirem negócios em rádios, emissoras de Televisão e outros tipos de comércio. 

Se fosse em prol do ensino do Evangelho, para alcançar os perdidos em todos os locais mais remotos da Terra, ou para caridade atendendo população em situação de rua, ajudando órfãos, viúvas, caridade em geral ou investimentos em saúde como nos casos das Santas Casas de Misericórdia, se fosse qualquer um desses motivos poderíamos alegar certo pragmatismo por parte das lideranças religiosas, mas a verdade é que não estão pensando no próximo, ou na expansão do Evangelho. Infelizmente são pastores de si mesmos que há tempos deixaram de se importar com o tesouro nos céus e que agora trabalham para construir fortuna terrena. 

No trecho a seguir, extraído do livro do Reverendo Augusto Nicodemos, O que estão fazendo com a Igreja? ao tratar do assunto da falta de fé, logo a abordagem se torna o problema da real motivação dos líderes religiosos, riqueza terrena. 

Tive amigos que eram membros de uma igreja cuja o pastor eu desconfiava que fosse incrédulo. Perguntando-lhes como eram as pregações, descobri que o problema não era o que o pastor dizia, mas o que ele deixava de dizer, os temas que ele evitava, os assuntos que nunca mencionava, como a ressurreição de Cristo, a infalibilidade das Escrituras. a veracidade e confiabilidade da narrativa bíblica, o poder do Espírito para regenerar a natureza humana pecaminosa. a morte vicária de Cristo, a realidade da tentação e da luta cristã. Havia aprendido a sobreviver dessa maneira, evitando matérias de fé e pregando aquilo que um rabino, mestre espírita ou líder muçulmano também pregaria: a honestidade, o amor ao próximo, o voto pelo desarmamento. Um de meus filhos leu o rascunho deste capítulo e logo me perguntou: "Papai, por que alguém gostaria de ser pastor se não tem Fé? Não tem uma maneira mais fácil de ganhar dinheiro?". Pois é, o pior é que não tem. Dentro da igreja, tais pastores são vistos como intelectuais respeitáveis para questionarem "cientificamente" algumas doutrinas, mas o que seriam fora dela? Nada. Apenas mais alguns incrédulos no mundo. (Nicodemos, 2008, p. 21) 

Pessoas que tem fé abrem mão de suas riquezas, se sacrificam com alegria e por julgarem necessário podem decidir por uma vida de desapego, investindo seus bens financeiros para ajudar missionários ou ajudarem suas comunidades de outras formas, mas sempre voluntariamente, com muita alegria e generosidade. 

A reação mais comum diante desse tipo de decisão é sentirmos pena da pessoa por estar se desfazendo de seus bens. Podemos até questionar se realmente é necessário se desfazer de tudo. Certo ceticismo pode ser saudável para a Igreja, pois não é sábio aceitar tudo sem questionar. Será mais correto se quando testemunharmos o contrário, as pessoas acumulando riquezas terrenas de maneira desordenada, sem honestidade, vendendo objetos supostamente sagrados, num estelionato descarado, dessas pessoas sim, sintamos pena, pois elas perderam a fé e são motivadas exclusivamente pelos ganhos terrenos.

13 de out. de 2020

O radicalismo dos Franciscanos, o pragmatismo dos Jesuítas e a ganância atual

Um pastor pobre chamado Hans Böhm, em Nicklashauen, no sul da Alemanha, no ano de 1476, disse “Os bispos, príncipes, condes e cavaleiros deveriam ter permissão para possuir somente tanto quanto o povo em geral. Virá o dia em que também eles terão de ganhar a vida trabalhando” (Gonzales, 2011), esse dia ainda não chegou, mas podemos observar no período anterior a Reforma Protestante de 1517 o sentimento de indignação latente. 

Ao observarmos a maneira como as Igrejas do Brasil no século XXI estão construindo suas fortunas e transformando seus líderes em novos ricos podemos imaginar que isso é uma novidade. A ideia de barganha entre o ofertante e sua divindade adorada, também incorretamente, nos parece recente. A novidade, no entanto, consiste no fato de haver inúmeras instituições novas com a mesma finalidade, o enriquecimento. Seu contraponto, o pensamento de que é correto repartir não surgiu na atualidade como podemos observar no provérbio israelita “O que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os olhos terá muitas maldições” (Provérbios 28:27). 

Segundo Joyce Meyer, “os líderes religiosos podem estar cercados de pessoas com desejos similares ao de Judas, apegadas ao dinheiro, podendo ser induzidas ao erro” (Meyer, 2006). Concordo com o pensamento da autora, acrescento ainda que muitos líderes na atualidade podem ter o coração com a pré-disposição para o enriquecimento ilícito, o abuso dos incautos e até mesmo cometer crimes como evasão de divisas e sonegação de impostos. Tudo isso não está oculto, de fato, na atualidade impera uma espécie de ostentação das riquezas das igrejas, até mesmo nas igrejas em que ocorreram denúncias de irregularidades e a consequente prisão de seus líderes. 

No século XII o monge que ficou conhecido como São Francisco de Assis começou o movimento de repúdio às injustiças sociais tendo como bandeira principal, além da castidade e da contemplação, o voto de pobreza. Vista na atualidade como uma espécie de demonização das riquezas, o voto de pobreza e seus adeptos são incompreendidos e constantemente repelidos com a observação de que grandes homens piedosos possuíam muitas posses, o que é verdade, mas omite-se o problema do apego aos bens materiais em detrimento de uma vida honesta e dedicada à comunhão e o repartir do pão, características que devem ser marcantes na vida de um cristão. 
Outro movimento, datado do século XVI, fundado por outro Padre conhecido como Inácio de Loyola, a Companhia de Jesus, também tinha entre suas regras a dependência das doações dos fiéis e dentre suas formas de obter recursos financeiros estava a possibilidade de receberem heranças, o que rendeu a esse grupo, a má fama de serem caçadores de heranças para enriquecerem. É certo que os seus fundadores tinham o desejo de resistir firmemente à tentação de enriquecer às custas da fé alheia, mas os  representantes das gerações seguintes nem sempre concordaram com as regras. 

Na época do Brasil Colônia, por exemplo, a Companhia de Jesus enquanto tratava de catequizar os indígenas não conseguia obter todos os recursos necessários por meio das doações dos poucos fiéis presentes na colônia e por isso seus membros, chamados jesuítas, liderados pelo Padre Manoel da Nobrega, decidiram adquirir terras, escravos e com isso produzir riquezas. (Nóbrega, 1955: 121), contrariando o ideal Inaciano de pobreza total tanto dos monges como da instituição (Santo Inácio de Loyola, 2004, n.º 565). 

Nessa mesma época vozes se levantaram como crítica ao modo de operar dos Jesuítas, padres vindos em missão como Luís da Grã (Nóbrega, 1955: 267), Francisco de Borja (Leite, 1938: 176), Miguel Garcia e Gonçalo Leite (Le i te, 1938: 227). Todos Padres contrários ao modus operandi da Companhia de Jesus, contrários ao acúmulo de escravos, terras e gado, críticos que foram todos chamados de volta para a Europa sob a alegação de não adaptação, numa clara demonstração de que esse posicionamento não agradava a liderança da Igreja e tampouco os interesses da Coroa Portuguesa. 

Por parte dos Franciscanos, no entanto, o voto de pobreza foi ainda mais radical ao ponto de os monges contratarem leigos para serem os administradores das finanças de seus mosteiros e colégios, orientados a sequer recolherem dinheiro do chão ou aceitar dinheiro de quem quer que fosse, exceto para ajudar pessoas em necessidades, ou seja, não sendo para o ganho próprio (São Fran cisco, 1982: 147). 

É possível aprendermos muito com o exemplo dos nossos antepassados, desde o bom senso de zelarmos pelos recursos que temos a nossa disposição para ajudar o próximo, assim como não nos deixarmos dominar pelo sentimento de posse e dependência dos recursos financeiros cedendo à tentação de sermos desonestos e em especial sem hesitar nos posicionarmos como vozes contra os abusos das lideranças religiosas em nosso tempo.

10 de jul. de 2019

“O pastor precisa ter o cheiro das ovelhas” e agora as ovelhas estão na internet

Líderes religiosos conformados com a falta de conhecimento ou sem interesse pelo desconhecido têm sido defendidos com conceitos sem fundamentos, baseados na compreensão incorreta de textos bíblicos como, por exemplo, 2 Coríntios 3:6 em que o Apóstolo Paulo escreveu “Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”. O texto se refere ao juízo instituído na Lei Mosaica e não no conhecimento em geral, mas essa compreensão só pode ser feita por meio do estudo, algo refutado por quem acredita que o conhecimento é prejudicial à fé. 

Igrejas estão se esvaziando pela incapacidade dos ministros de se atualizarem e acompanharem as mudanças, seja no que diz respeito à Teologia, Ciência, Filosofia ou mesmo questões simples do dia a dia, pois agora a informação está ao alcance da comunidade em geral, muitas vezes na palma da mão. Em comunidades mais simples a barreira que separa o “pastor” de suas “ovelhas” é a resistência à revolução digital. Existe certa dificuldade de adaptação devido a pouca prática ou mesmo um saudosismo pelos bons tempos passados, digo isso sabendo que as memórias tendem a se embelezar e por isso é sempre nostálgico lembrar-se das longas conversas em bancos de praça ou mesmo tomando um café em uma sala aconchegante com bons amigos, bem diferente da fria e distante relação por meio das telas. 

O que não é percebido é que para ter uma informação antigamente era preciso ir a uma loja comprar um bom livro, ou mesmo se deslocar até uma biblioteca para pesquisar, diferentemente hoje podemos pesquisar no lugar onde estamos e em apenas alguns minutos ter as respostas. Nesse ambiente atual, torna-se indesculpável a falta de conhecimento dos líderes e a rejeição pelos novos mecanismos de pesquisa e formação do conhecimento.

As definições de líder foram atualizadas e já não são admitidas posturas autoritárias, possessivas e desinformadas, por isso há um abismo separando a geração anterior de líderes da atual geração que está sendo formada. Isso será prejudicial para todos, pois há a necessidade do aconselhamento e mentoreio dos novos líderes por parte dos líderes mais experientes. No entanto, as lideranças mais antigas não tem facilidade em agraciar os “novatos” com sua experiência de vida, uma vez que não se reconhece autoridade na juventude, isso é um problema evidente nas Igrejas, pois nas empresas e mesmo na política os jovens já lideram e são muito bem sucedidos. Precisamos permitir que a juventude esteja alinhada com a liderança da Igreja, caso contrário continuará a debandada de membros das Igrejas pra outros ambientes de convivência contemporâneos e julgados mais interessantes.

Há, é claro, muitos líderes antenados com as mudanças, homens e mulheres maduros e que estão presentes nas redes sociais, participam de conversas sobre política e mesmo questões do dia a dia, sem nenhuma pretensão de parecerem mais espirituais, são abertos ao diálogo, prontos também para ouvir e não apenas para falar e que não se julgam acima dos demais. É exatamente o tipo de líder que se espera seguir na atualidade. 

Estes são os que estão preparando novos líderes para as novas gerações, dispostos a aprender e melhor ainda a compreender, seja o diferente, seja o opositor, ou mesmo conceitos que possam parecer insignificantes para uma pessoa comum, mas para o líder atualizado o saber é uma prioridade. A liderança não pode ignorar questões epistemológicas, sendo que é impreterível refletir sobre os por quês em nossa existência, seja como indivíduos ou como sociedade, questionar-se sobre sua vocação, sobre a vocação das pessoas que estão a sua volta e até mesmo sobre a vocação da Igreja, sem hipocrisia ou fantasia de uma sociedade terrena perfeita, ponderando inclusive sobre a ética e sobre a moralidade e não apenas repetindo o que foi dito anteriormente.

O diálogo deve estar sempre aberto com o conhecimento científico, mas sem compromisso de comprovação das verdades teológicas, pois não é possível realizar experimentos que validem a teologia, uma vez que a teologia abarca as questões do “além”, também chamada metafísica, no entanto, é possível conciliar questões teológicas como a Cosmologia com as descobertas científicas contemporâneas ou mesmo questões Escatológicas relacionadas aos mais recentes avanços tecnológicos. São apenas exemplos de conciliação e as pessoas estão ávidas por esse tipo de informação para ampliarem sua compreensão sobre a fé.

Não é necessário passar a se comportar como um youtuber para entreter os fiéis da nova geração, mas a compreensão do momento em que vivemos, estar contextualizado e não alienado, é fundamental para a comunicação do ministro com os membros da comunidade. Para tanto o líder religioso precisa estar constantemente se comunicando com seus liderados, seja pessoalmente, por rádio, televisão, internet ou mais precisamente mídias sociais, onde as pessoas passam boa parte de seu tempo.

28 de dez. de 2018

Profecias, a perspectiva do Antigo Testamento e a perspectiva atual


Os profetas do Antigo Testamento ousavam enfrentar toda uma nação e pagar o preço que fosse necessário para anunciar as Palavras do Eterno.

Isaias fazia previsões apocalípticas e pregava sobre o juízo com profecias fúnebres sobre os destinatários.

Jeremias era engajado nas questões sociais, não usava abstrações ou generalizações para denunciar os abusos dos ricos, pois os identificava e assim se tornou adversário de toda uma classe de líderes e religiosos em Israel. Ele experimentou o ódio do rei e descrédito de seus pares profetas em um jogo de inversões no qual ele era taxado de falso profeta porque profetizava a verdade, a ruína do povo, enquanto os falsos profetas agradavam o rei e se mantinham confortáveis em suas posições na corte, mas sendo falsos profetas, enganavam-se uns aos outros.

No cativeiro da Babilônia, Ezequiel revelou suas memórias, anunciou a revelação divina do Eterno enquanto vivia entre escravos e usando a ironia profetizou sobre a queda da Babilônia. Sua profecia era de restauração de Israel, utilizava simbologias usando o reino animal e fazia lamentações fúnebres.

 O ministério dos profetas no Antigo Testamento mantinha as tribos unidas, um tanto civilizadas e a convivência era facilitada por esse agente social encarregado de proclamar a vontade de Deus. Essas proclamações e todo o cuidado do profeta com o povo era feito por meio das profecias, fossem elas orais ou escritas.

O mistério de profetizar o que acontecerá no futuro era creditado a Deus caso se cumprisse a profecia e assim o profeta era confirmado como verdadeiro se sua profecia fosse verdadeira, mas caso a profecia não se cumprisse o profeta passaria a ser considerado um falso profeta por sua profecia ser falsa e a origem da profecia era atribuída a ele mesmo. 

Hoje em dia pessoas se dizem profetas ou adivinhos, mas caso suas palavras não se cumpram elas alegam que “Deus mudou de ideia”. Por isso há muitos que desacreditam da profecia na atualidade.
Pessoas são manipuladas por falsos profetas ou falsas profecias, tomam decisões muito importantes e arcam com consequências das mais diversas, como falência nos negócios, relacionamentos e até casamentos precipitados, trabalho sacerdotal sem vocação entre outros.

Vertentes teológicas não acreditam na profecia na atualidade, assim como não acreditam no milagre da cura e da glossolalia por exemplo. Pautam-se na crença de que somente as escrituras sagradas são a revelação do Eterno e não é necessário qualquer adicional, considerando tais fenômenos puramente humanos e não espirituais.

Outras correntes afirmam que o dom de profetizar continua vivo e serve para a edificação da Igreja. Essa afirmação está de acordo com os escritos do Novo Testamento, mais precisamente do Apóstolo Paulo, mas tem sido subvertida e utilizada para autopromoção e também para massagear os egos de pessoas carentes e muitas vezes sem qualquer outra esperança se não na busca pela manifestação do sobrenatural.

Atualmente a profecia normalmente não é feita de maneira negativa, principalmente por que vivemos numa era de incessante busca pelo bem estar e pela promoção pessoal e a ultima coisa que as pessoas querem é fazer inimigos poderosos.

Outra forma de se observar a profecia em nossos dias é pela ótica positivista de que devemos determinar algo com fé e autoridade, dando a essa atitude também o nome de profecia, mas quando não ocorre conforme a “determinação” a alegação varia entre a de que “não era a vontade de Deus” ou a de que “faltou fé”. Em todo caso a origem é humana e a profecia, apesar de não poder chamar de charlatanismo, classificaria como uma péssima escolha de nome, pois na verdade é um equivoco teológico chama-la de profecia, pois se trata de uma oração com fé. Concluindo esse ponto sobre profetizar com fé acrescento que a exemplo dos profetas do Antigo Testamento uma profecia é a vontade de Deus revelada aos homens e não a vontade dos homens revelada a Deus, pois isso, novamente, se chama oração.

Há muitos outros perigos na atualidade como, por exemplo, anunciar a própria Palavra de Deus revelada nas escrituras, o que contraria muitos segmentos da sociedade e suas práticas, além disso, em muitos países as escrituras são proibidas de serem anunciadas e muitos cristãos padecem por isso.

Os profetas da atualidade são os homens e mulheres que não temem a morte e anunciam a Palavra, por amor a Deus, abrindo mão do próprio bem estar e nunca, em hipótese alguma, se deixam levar pelos agrados desta vida para fazer “profecias agradáveis” aos reis. 

24 de dez. de 2018

Autocontrole

Citado por Paulo como virtude cristã, juntamente à hospitalidade, benignidade, sobriedade, justiça e piedade. Tito 1:8


Por quê?

Deus criou o homem para que dominasse sobre todos os animais da terra, sobre todas as aves dos céus e sobre toda a criação, de maneira que serviria a somente um Senhor, exercendo assim o auto-controle.

Citado por Pedro juntamente de conhecimento, perseverança e piedade. 2 Pedro 1:6.

Observe que Paulo e Pedro tiveram ensinamentos distintos, Pedro aprendeu o Evangelho diretamente com Jesus, de diferente forma, Paulo era um Fariseu, pertencendo ao Sinédrio, formado no colégio Gamaliel, era um doutor da Lei, mas ambos descrevem como parte fundamental do caráter cristão.

Do grego: Egkrateia, cuja raiz “kratos” significa “ter domínio sobre”, “exercer poder sobre”, “ter autoridade sobre”. O termo se relaciona à autoridade.

Sinônimos: Domínio Próprio e Temperança

Aplicação: Disciplinar-se corpo e mente, para superar a dificuldade de concentração, ou para não se precipitar em um momento de ira, ou até mesmo resistir a impulsos naturais.

Podemos entender melhor a aplicação prática do "domínio próprio" pensando no oposto, ou seja, quem não tem o "domínio próprio" é certamente dominado por algo.

Pode ser dominado pela Paixão e assim cometer pecados, tais como, Prostituição, Impureza e Lascívia.

Dominado por uma Circunstância, pode desesperar-se e então se valer de idolatria ou feitiçaria.

Se for dominado pela vaidade, sempre tentará superar o próximo, podendo causar: Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções e invejas.

Caso não domine o próprio ventre: Glutonarias e Bebedices.

Conforme está escrito em Gálatas capítulo 5 versículos 19 e 20:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus

É preciso então escolher os bons sentimentos e as boas atitudes, para os quais não há condenação e não se deixar dominar pelos impulsos para não ter que arcar com as suas consequências.  



21 de dez. de 2018

O que é o Natal?


Todos nós sabemos que a comemoração do Nascimento do Messias é uma festa digna, mas cheia de distorções, vamos falar só um pouquinho sobre isso, porque a mensagem mais importante é que Jesus Nasceu.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz."

IS 9:6

Mesmo que a data esteja errada, o que não ocorre por simples equivoco, pois os Romanos que instituíram a data no século IV, o fizeram porque comemoravam a festa da chegada do inverno, é uma excelente oportunidade para conscientizarmos as pessoas sobre a necessidade de aprender de Deus, aprender sobre Jesus Cristo, não apenas sua história, mas aprender a como servi-lo.

Jesus Nasceu, de maneira milagrosa, cresceu e mostrou o caminho para Deus, entregou-se como sacrifício expiatório, ressuscitou e foi nos preparar um lugar, recebeu um nome que foi posto pelo Pai acima de todo nome, dividiu a nossa história, e ainda hoje tem feito grandes coisas em nosso meio, assim cremos. Infelizmente sua mensagem e história são colocadas por muitos em segundo plano.


O Papai Noel - Estudiosos afirmam que a figura do "bom velhinho" foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de "bom coração", costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele. A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

É muito triste que crianças sejam ensinadas a escrever cartinhas para o Papai Noel e nem ao menos saber o significado de Messias, ou Cristo ou ainda serem ensinadas a serem comportadas para ganhar presentes, quando na verdade deveriam ser formadas segundo os preceitos de Deus.


Árvore de Natal - Sua origem mais remota está ligada às civilizações antigas e às festas pagãs em comemoração ao solstício de inverno no Hemisfério Norte, onde temos o dia mais curto e a noite mais longa do ano. Enfeitar árvores é um ritual antiquíssimo, presente em praticamente todas as culturas e religiões pagãs, para celebrar a fertilidade da natureza. Atribui-se a São Bonifácio, no século VIII, sua origem. Chegado à Alemanha, como missionário, substituiu o culto a Odin pela árvore de Natal. 

É tradição em muitas famílias montar árvores de natal e colocar os presentes embaixo dela, mas como aprendi há muitos anos atras que não deveria fazê-lo e mantive desde então a decisão de não enfeitar a nossa casa com árvores de natal e demais adornos natalinos, embora não fique pressionando os amigos e parentes para fazerem igual.

"Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus."

Rm 14:5-6


Presépio - uma forma de encenação do nascimento de Jesus, utilizando esculturas que simbolizam José e Maria, além do próprio menino Jesus e os animais que estariam com eles no estábulo. A criação do primeiro presépio é atribuída a São Francisco de Assis, que o teria construído em 1223, na cidade italiana de Greccio. Ele queria mostrar aos camponeses como tinha sido a noite do nascimento de Jesus, mas não sabia como fazer. Foi então que teve a ideia de pegar argila e montar vários bonecos para simbolizar os personagens daquela noite tão simbólica quanto sagrada para os cristãos.

Embora eu não tenha o hábito de expor a encenação do nascimento do messias como algumas pessoas o fazem, também não vejo qualquer problema em fazê-lo, desde que seja apenas uma obra de arte e nada mais que isso, pois não deve tomar o lugar no coração como um ídolo, 


O mais importante é que Jesus nasceu e que neste Natal possamos engrandecer o seu nome acima de tudo e de todos. 

14 de dez. de 2018

O mito da interferência da Igreja sobre o Estado e seu ateísmo velado

É comum atualmente ouvirmos ativistas de diversos segmentos da sociedade com práticas contrárias às diretrizes mais básicas do cristianismo advertirem para o fato de o Estado ser laico e por conta disso não ser correto ter interferência dos preceitos cristãos. No entanto um estado laico e democrático deve ser regido conforme o consenso da maioria e não baseado nos conceitos e filosofias de uma minoria. As minorias precisam ter os seus direitos inalienáveis como seres humanos preservados pelo Estado e isso se deve ao fato de estar totalmente de acordo com os princípios cristãos de justiça, compaixão e caridade, não por acaso, mas por sermos uma nação majoritariamente cristã.

Os representantes cristãos do poder legislativo são severamente atacados como retrógrados, alienados, antiquados e até mesmo a Bíblia Sagrada sofre ataques de grupos que se sentem constrangidos pelas demandas dos cristãos e por vezes até mesmo reiteram seu desprezo pelos que professam sua fé em Deus e em Cristo. Há claramente uma ideia injusta de que os valores cristãos devem ser deixados de lado enquanto os pensamentos dos opositores devem ser respeitados e colocados em prática. Essa ideia não é de um Estado laico, mas de um Estado Ateu, como na Europa Oriental, em países como a Albânia em que o cristianismo sofreu severa perseguição e havia a idolatria ao partido que governava.

Essa história não começou a pouco tempo, mas há mais de dois mil anos, quando o Império Romano dominava o oriente médio e em Jerusalém havia um grupo de homens e mulheres que anunciavam um novo Rei, eles foram perseguidos e mortos pelo Estado. Assim continuou por mais três séculos até que o Estado assimilou a doutrina desses homens e o Estado passou a ser cristão por decreto do Imperador Constantino. No século IV a Igreja passou a ser uma instituição reconhecida pelo Estado e se desenvolveu dentro do Império Romano.

Com a queda do Império Romano no século V, a Igreja não desapareceu, mas continuou sendo uma instituição forte, no século VIII, por exemplo, o Papa Zacarias havia tirado Childerico do trono francês para coroar Pepino, o Breve, supostamente abrindo precedente para o Papa nomear e depor reis. Na prática não foi o que aconteceu, pois pouquíssimos Papas tiveram realmente destaque e autoridade para intervir em assuntos do Estado, pois na maior parte do tempo os papas eram na verdade nomeados para atender as demandas de determinados partidos e na maioria dos casos para atender os interesses do rei.

No século X foi estabelecido o Sacro Império Romano e toda a cristandade era governada por um imperador que regia tanto o Estado como a Igreja. O Papa figurava como líder máximo da Igreja, mas quem articulava quem seriam os papas era o Estado. A história conta que no século XI o Rei Henrique III nomeou três papas, sendo eles o papa Bento IX, que foi expulso de Roma, depois foi nomeado Clemente II, na tentativa de recuperar a dignidade da Igreja, mas foi preciso ainda nomear outro papa, agora foi nomeado seu primo, Bruno, que utilizou o nome Leão IX. A partir de então surgiu um forte sentimento de repudio ao controle do Estado sobre a Igreja, isso porque havia a preocupação de o imperador ser mal e nesse caso não se saberia o que poderia acontecer com a Igreja.

Durante o reinado de Henrique IV e o papado de Gregório VII, foi redigido um documento chamado Dictatus, que condenava o controle da Igreja pelo Estado. A história se passa durante o Feudalismo, período em que a autoridade era do senhor feudal e dos monarcas, sendo que todos deveriam estar debaixo da autoridade dos barões e dos reis, o mesmo acontecia com a Igreja. Esse documento foi um marco, pois é a declaração de independência da Igreja, indicando que o Imperador é quem deve prestar contas ao Papa e que o Papa só deve prestar contas a Deus. Ocorreu que morreu o arcebispo de Milão e imediatamente o Rei Henrique IV nomeou um novo bispo de sua confiança. Essa atitude contrariava o Dictatus, e por isso o Papa Gregório VII excomungou o Rei. Henrique IV então se humilhou perante o Papa que o perdoou, mas passado algum tempo voltaram a se enfrentar.

Foi Henrique V quem resolveu o dilema, na segunda tentativa, pois na primeira fora muito radical querendo que a Igreja renunciasse todas as suas terras em troca de sua liberdade, pois bem, na segunda tentativa propôs o acordo de que o Estado nomearia os bispos com base nos princípios do Feudalismo, que chamamos de Investidura Leiga e a Igreja precisaria concordar outorgando autoridade eclesiástica por meio de objetos dados aos clérigos, anéis, báculos ou cajados de pastor. Isso não impediu que o Estado e a Igreja voltassem a se ressentir no futuro, mas foi a melhor solução possível durante a idade média.

Ironicamente, Henrique VIII, no século XVI, foi quem separou a Igreja Inglesa da Igreja Católica Romana, fundando uma Igreja da qual ele mesmo seria o Regente Máximo, algo que perdura até hoje, tendo a atual rainha da Inglaterra como líder da Igreja Anglicana.

Muitos países, tais como França, os Estados Unidos e o Brasil tem em sua constituição artigos que impedem qualquer interferência da Igreja em suas decisões, assim como está assegurado o direito de todo cidadão ter sua fé e prática religiosa respeitados. No Brasil, no entanto, ocorre o seguinte fenômeno, quando a Igreja precisa usar um espaço público, ele pode ser recusado sob a alegação de que o Estado é laico, mas quando uma comunidade que não professa fé alguma pede para usar o espaço do Estado, ela é atendida, isso é um comportamento de Estado ateu e não de um Estado laico em que todos devem ser tratados com igualdade, sendo Igreja ou não.

10 de dez. de 2018

O que faremos com as crianças?


Pouco se discute sobre o lugar ou o melhor método para lidar com as crianças em nossas reuniões e é realmente muito bom nos prepararmos para isso academicamente, pois não é justo com as nossas crianças que os pastores e líderes estejam despreparados para servi-los e assim não atenderem às suas necessidades durante a infância.

Ouvi muitos líderes dizerem que as crianças serão a Igreja de amanhã, mas isso não deveria significar que elas não são a Igreja de hoje e que não necessitam de atenção, o que ocorre de fato é que muitos líderes de Igrejas entregam os cuidados das crianças a pessoas despreparadas e não acompanham o programa da igreja local para as crianças. Não acredito que seja por desprezo, mas por despreparo de nossas lideranças.

As crianças serão a Igreja de amanhã somente se forem bem cuidadas, ministradas com toda diligência e devidamente pastoreadas como todas as outras “ovelhas do rebanho”. Para tanto, precisamos de líderes que entendam que as crianças são a Igreja de hoje e são também servos, adoradores e ministradores como os demais membros.

Crianças sempre estiveram envolvidas nas liturgias das Cerimônias no Antigo Israel, por exemplo, no livro de Êxodo 12:24-27, com a orientação para os Israelitas de que quando as crianças perguntassem sobre o motivo da celebração do Pessah, eles deveriam explicar sobre o livramento dos primogênitos dos Hebreus e a morte dos primogênitos dos Egípcios e assim a tradição oral seria passada de geração a geração e eles assim o fizeram.

Elas podem ter o seu espaço na reunião como os demais membros, pois muitos pensam que as crianças não são capazes de trazer um versículo para meditação, atuar ou apresentar uma dança com a devida competência, cantar ou tocar instrumentos com excelência, ajudar na limpeza, no acolhimento de convidados e tantos outros trabalhos como qualquer outro membro.

Existe é claro uma diferença muito grande entre as capacidades de cada criança, assim como entre os adultos, pois não se pode esperar que um membro recém-chegado a comunidade de fé explique um texto bíblico da mesma maneira que um membro mais antigo, formado em Teologia e com certa experiência em ensinar. Logo uma criança que cresce participando dos cultos e desenvolve as habilidades necessárias deve ter também a oportunidade de participar de maneira ativa. Cito o exemplo de Samuel que desde criança serviu no Templo ministrando diante do Senhor. (1 Sm 2:18).
Qual a melhor maneira de organizarmos os nossos cultos pensando nos resultados decorrentes desta estratégia?

Ramos (2008, p.79) orienta os líderes a elaborarem um culto inclusivo em que as crianças possam participar inclusive da mensagem e que esta seja de possível compreensão, para elas, além dos momentos de oferta, adoração e demais sacramentos para que cresçam compreendendo que participam do corpo e não tenham a impressão de que nunca foram bem vindas à nave da Igreja. Isso é possível, mas a aplicação prática é um grande desafio para nós que ainda precisamos evoluir como Igreja para produzirmos esse resultado e por isso acredito que perdurará o modelo em que parte do culto, por ser de difícil compreensão para as crianças, pois não são capazes de ficar quietos por horas ouvindo sermões e mesmo que fiquem quietos por obediência não compreenderão a mensagem, sendo assim, elas receberão atenção em outro espaço, não porque queremos “nos livrar delas”, mas porque elas precisam de atenção e de uma ministração que possam compreender e guardar em seus corações desde pequenos e infelizmente a Igreja Cristã Brasileira em geral não está pronta para fazê-lo como sugere o autor.

Um caminho viável é a elaboração de um culto semanal, mensal ou ao menos esporádico em que a dinâmica seja pensada prioritariamente para crianças e que os adultos possam cultuar junto com elas e desfrutar daqueles momentos com os filhos e serem ministrados de maneira simples e objetiva, com músicas cristãs de teor mais pedagógico e com muitas ilustrações, encenações, animações etc.

As crianças também devem ser evangelizadas, pois não devemos pensar apenas em como lidar com nossas crianças, mas podemos atrair a atenção de outras crianças e fazê-las sentirem-se a vontade em nosso meio promovendo eventos com brincadeiras e apresentações voltadas para elas. Evangelização não é somente para adultos e devemos encher os nossos cultos de crianças conforme as palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.” (Mt 19:14).

7 de dez. de 2018

Um pouco da História da Septuaginta

Muitas pessoas questionam a autenticidade da Bíblia, o Livro Sagrado dos Cristãos, e os argumentos geralmente são a falibilidade humana e as alterações tendenciosas feitas durante o processo de tradução dos manuscritos hebraicos para os mais variados idiomas tais como o grego, latim, siríaco, armênio, entre outros.

O processo de tradução, obviamente é complexo e exigiu a disposição e tempo de homens capazes, bem instruídos e no caso da Septuaginta, raramente encontrados nos séculos I aC., pois como se pode imaginar, a maior parte da população era analfabeta e pouquíssimas pessoas possuíam os recursos necessários para custear um processo de tradução.

Segundo conta a lenda judaico-cristã, a Septuaginta fora encomendada pelo Rei Egípcio Ptolomeu II, que primeiramente obteve as traduções da Torah e Tehilim, o livro de Salmos, feita na cidade de Alexandria, no Egito, com a intenção de terem os escritos sagrados dos Judeus, em grego, na sua biblioteca. Uma das possíveis razões para isso era o grande número de judeus residentes na cidade de Alexandria.

O nome Septuaginta significa do Latim Setenta, segundo a tradição porque fora traduzida por 72 rabinos, outra versão da história aponta para apenas cinco tradutores e 70 membros do sinédrio que apenas aprovaram a tradução.

Posteriormente, todos os demais livros dos judeus foram traduzidos para o grego, traduções não tão boas como as produzidas em Alexandria, mas foi concluída no século IV dC, a Septuaginta, o conjunto de livros dos judeus traduzidos do hebraico para o grego ou produzidos diretamente em grego como o caso de I e II Macabeus. 

O nome Septuaginta surgiu após a conclusão da obra, do latim Interpretatio septuaginta virorum, obviamente porque era a língua litúrgica da Igreja Romana, mas em grego o nome é hē metáphrasis tōn hebdomēkonta, que significa tradução dos setenta interpretes, abreviado normalmente como LXX.

No século XV, com a reforma protestante, o Canon Cristão ficou dividido em dois modelos, sendo um composto por todos os livros da Septuaginta e outro que, elaborado por Martinho Lutero, desconsiderou os livros Judite, Tobias, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc.

Atualmente críticos e historiadores avaliam a existência da Septuaginta conforme conta a tradição e alguns a consideram apenas um mito, em parte por não existir um fragmento e haverem apenas menções à sua estória de origem. A Septuaginta como conhecemos seria datada apenas do II ao IV século dC. No entanto, no Novo Testamento das 350 menções ao Antigo Testamento, ao menos 300 se referem à versão Grega, como por exemplo, em Mateus 4:4 o uso do vocábulo Deus, conforme a Septuaginta, ao invés de Senhor conforme a Torah ao referir-se a Deuteronômio 8:3.

A diferença de determinados vocábulos acontece pelo limitado conhecimento do grego koiné por parte dos tradutores, pela falta de um correspondente com o significado exato do original ou pela impossibilidade da compreensão de determinadas expressões por questões culturais como, por exemplo, um indivíduo é chamado no hebraico de nefesh, que significa literalmente garganta, mas que se compreende como o indivíduo pela crença de que foi pela garganta que se recebeu o fôlego de vida, enquanto no grego a palavra usada é psiché, alma, vida, pessoa, criatura.


30 de nov. de 2018

Diálogo entre a Fé e a Ciência

Numa tentativa de compreendermos melhor o diálogo entre a fé e a ciência vamos deixar de lado a interpretação literal da cosmologia tradicional, como mitos de povos antigos tais como Enuma Elish dos babilônicos e o livro de Gênesis dos hebreus.

A cosmologia moderna não poderia compreender a criação e dialogar com a fé por ser ainda rudimentar e sem conseguir provar teorias por falta de instrumentos acabou por ter a teologia como uma ferrenha opositora, como nos casos de Galileu Galilei, condenado pela inquisição em 1633 e de Charles Darwin, sendo apelidado de o Homem que matou Deus.

O que realmente aconteceu na origem do universo como o conhecemos começou a ser revelado pelas descobertas de EdwinHubble e Georges Lemaître, em 1920, compreendendo que está em expansão. Em 1964 a descoberta da radiação de fundo das micro-ondas é uma nova evidência do Big Bang. Sua origem como uma inimaginável concentração de matéria densa e em altíssima temperatura a ponto de ao explodir espalhar uma quantidade incontável de matéria em mais de 100 Bilhões de Galáxias e dentre todos os ajuntamentos de matéria está o nosso sistema solar.

A ideia de que o ser humano é a coroa da criação começou a ser refutada com a queda do geocentrismo e a aceitação de que não somos o centro do universo, mas por meio do princípio antrópico voltamos a considerar o ser humano e a vida como fator decisivo para uma melhor compreensão da origem do universo, sendo as leis que regem a nossa realidade, indispensáveis para a manutenção da vida. Se não somos a razão do universo, mas mera casualidade, como explicar, por exemplo, que se a força dos campos gravitacionais e do eletromagnetismo, caso fossem alteradas para mais ou para menos, impossibilitariam a existência de microrganismos? Chamamos essa teoria de Desígnio Inteligente, diferentemente do criacionismo científico não distorce as descobertas científicas e não faz a leitura literal dos mitos, mas enfatiza que sem uma mente semelhante a nossa não seria possível uma sintonia tão fina. Outra teoria que é dispensada é a de que Deus seria o responsável por tudo o que a Ciência é incapaz de explicar. Essa teoria do Deus das Lacunas não deve ser apoiada porque a Ciência está em constante evolução e sistematicamente irá preencher essas lacunas e o máximo que essa teoria poderá revelar é um argumento ateísta.

O Desígnio Inteligente por meio do Princípio Antrópico é o melhor argumento para a Criação, uma vez que concilia e a Teoria Darwiniana, que incontestavelmente, não contraria os escritos sagrados, mas específica uma forma ordenada de evolução de um sistema criativo, bem planejado e que não precisou de uma intervenção rotineira para que acontecesse.







13 de nov. de 2018

O que a Fé não é


Sobre a Fé, constatamos que é o meio de salvação em Cristo Jesus, com atitude de obediência e que produz um resultado em nós e no lugar onde estamos inseridos. Vimos também que a fé é uma condição para agradar a Deus e o motivo para continuarmos a jornada esperançosos e constantes.
O que vamos ver hoje são conceitos e valores que podem parecer fé, mas são outra coisa, não necessariamente ruins, mas não são a Fé salvadora e não são condições para se servir a Deus.


  • Tradições - Fazem parte de quem nós somos, mas como sempre ouvi desde a minha infância, filho de crente não é crentinho não, fazendo uma analogia ao ditado filho de peixe, peixinho é, deixando claro que concordar com os mandamentos e mesmo dizer frases como “já tenho Jesus no coração” de nada valem. Todos os anos indo para a igreja, o convívio com os irmãos e com pastores, não são fé, são muito importantes, mas não é a Fé, é apenas história.


  • Conhecimento - Necessário para que o homem tenha conhecimento sobre a pessoa e obra de Cristo: “como crerão naquele de quem nada ouviram?”. Mas conhecimento de fatos sobre Deus ou Cristo não é suficiente porque muitos apóstatas têm conhecimento de Deus e os demônios também têm conhecimento da pessoa e das obras de Deus. Isso é verdade e por isso muitos acreditam que o estudo afasta o cristão do Evangelho, outra falácia, na verdade o estudo não tem nem o poder de afastar e nem o poder de aproximar as pessoas de Deus.


  • Experiências – Ter visto milagres e mesmo tendo já visto anjos ou demônios em eventos sobrenaturais não são garantia de fé salvadora, pois mesmo tendo testemunhado muitos milagres muitos da multidão que seguiam a Jesus deixaram de segui-lo e se perderam pelo caminho. Ter já expulsado demônios, orado em línguas e curado enfermos também não são a prova da fé salvadora, como o próprio Senhor Jesus disse que naquele dia muitos clamariam dizendo tudo isso e Ele dirá “apartai-vos de mim porque não vos conheço”.


  • Emoção – Quem nunca foi impactado por uma peça de teatro, ou mesmo por um grande pregador eloquente ou mesmo um belo filme e se emocionou a ponto de chorar? Lamento dizer isso, mas emoção também não é Fé. Ter chorado e se lamentado pelo sofrimento de Cristo é comum a todo ser humano, cristão ou não, e mais, chorar a gente chora com qualquer filósofo dizendo belas palavras ou mesmo assistindo um Blockbuster como Armagedon, Impacto Profundo ou Titanic.


1 de set. de 2018

Mover a Montanha


"Observou-lhes Jesus: “Tende fé em Deus! E, com toda a certeza eu vos asseguro, que se qualquer pessoa ordenar a este monte: ‘Levanta-te e lança-te no mar, e não houver dúvida em seu coração, mas crer que se realizará o que pede, assim lhe será feito’. Portanto, vos afirmo: Tudo quanto em oração pedirdes, tenhais fé que já o recebestes, e assim vos sucederá."

Mc 11: 22-24


A fé para mover a montanha todos nós já temos. Se não tivéssemos não buscaríamos a face de Deus.
O que falta então? Precisamos nos perguntar qual seria o propósito de mover a montanha.

Há certa dualidade no significado da montanha para o povo judeu, pois se por um lado a montanha significa o lugar “mais alto”, onde os deuses desceriam para encontrar os homens, além de uma vantagem militar como forma de proteção contra invasões, por outro lado a montanha também significa um grande desafio, pois para passar pela montanha era necessário escalar, o que envolveria muitos riscos, ou dar a volta, o que poderia tornar a viagem muito mais longa. Pensou, nesse contexto simplesmente mover uma montanha e tirá-la do seu caminho?

Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre o fermento dos fariseus ele estava falando sobre fermento mesmo ou era um símbolo? Quando Ele falou para tirar a trave do olho antes de julgar o irmão, ele estava falando de uma trave mesmo no olho? São metáforas do Mestre.

Quando decidimos viver a vontade de Deus, Ele investe pesado, usando pessoas, fazendo acontecerem muitas “coincidências”, muitos encontros e desencontros, idas e vindas, mas tem momentos que precisamos superar uma montanha. A questão principal é ter a fé certa e essa fé precisa ser em Deus, mas não a de que Ele pode fazer, e sim a de que Ele realmente se importa em fazer e fará.

Se o propósito for o de verem a Glória Dele no esforço do aspirante a alpinista, nada de mover a montanha. Se o propósito Dele for o de que você encontre algum samaritano ou samaritana ao passar por Samaria, então nada de tirar a montanha do caminho, mas se o propósito Dele for realizar um milagre tremendo como sinal para que creiam, não duvide, a porção imensa de terra vai se deslocar.
Isso não é acreditar na fé, mas contar com Deus e viver sobrenaturalmente.

"E quando pedis não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres."

Tg 4:3


O problema não está em Deus, é claro, o problema não está na fé que já temos, mas nos falta propósito para vermos a glória de Deus. A Fé que move a montanha é para quem tem propósito, para quem decidiu ser discípulo do Mestre.

23 de ago. de 2018

Fé

 “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”
Tiago 2:26

Alguém pode dizer então que há uma contradição entre o texto do irmão do Mestre e toda a crença monergista fundamentada nas epístolas paulinas, compreendida nos escritos de Agostinho e posteriormente defendida por João Calvino.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.”
Efésios 2:8

Rejeitando qualquer crença sinergista de que nós, seres humanos, temos algum mérito em nossas decisões benignas, compreendemos que o dom da Fé, é somente concedido por Deus, por sua graça.

Podemos afirmar que os textos de Tiago 2:26 e Efésios 2:8 não se contradizem, mas se encontram, e compreendemos a incontestável manifestação do poder e da salvação do Senhor Deus Todo Poderoso na atitude de fé, ou seja, obediência, vislumbrada diariamente na vida de cada cristão.

Nas palavras de Bonhoeffer (1937), não podemos dizer que “somente o crente é obediente”, sem completar também que “somente o obediente é crente”.

O exemplo mencionado por Bonhoeffer é o do jovem rico que se aproxima do Mestre e indaga sobre como fazer para ser salvo e a resposta de Jesus é resumida em obediência ao mandamento enérgico de se desfazer de seus bens e então segui-lo.

A questão que o jovem tentou levantar era uma forma de autojustificação pela incompreensão da salvação por meio do cumprimento dos mandamentos e ainda uma forma de começar uma discussão filosófica, ética e sem compromisso, mas quando ele foi surpreendido pelo chamado à obediência, encurralado, recuou por ser muito rico e apegado aos seus bens materiais. Mal sabia ele que vender os bens e doar aos pobres seria muito mais fácil do que o mandamento seguinte, de seguir os passos do Messias.

Concluo que a Fé genuína produz a obediência e a obediência é além de uma prova, uma porta que abrimos para vivermos um relacionamento íntimo e sincero com Deus, livre de qualquer espiritualidade barata e emocional, um caminho para a Vida Eterna que só Jesus concede e concede somente aos seus seguidores, chamados seus discípulos.