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5 de nov. de 2020

Os tipos de Sermões e as partes da Prédica

Há muitas formas de se comunicar uma mensagem, seja por meio de recursos audiovisuais, apresentações artísticas como danças e teatro, mas a mais tradicional e bem sucedida de todas é a prática da comunicação verbal, por meio dos sermões, da pregação da Palavra falada diretamente para os ouvintes de uma comunidade. 

Atualmente estão em evidência os sermões textuais e os expositivos, sendo que os textuais se restringem a um texto curto da Bíblia, que será orbitado pelas ilustrações e argumentos do pregador do início ao fim da mensagem, já o sermão expositivo não se restringe a um pequeno texto, ao contrário, ele contemplará sempre mais do que três versículos e por conta disso não permitirá um trabalho minucioso sobre todas as palavras empregadas no sermão, será necessário escolher bem os comentários e os esclarecimentos, mas é o tipo de sermão considerado de maior exigência de preparo, é um sermão que primeiro impactará o pregador, que o levará a orar mais, estudar mais e se tornar cada vez um pregador melhor. 

Os sermões temáticos ao contrário, não se restringem aos textos bíblicos, mas normalmente utilizam textos bíblicos para chancelarem o que se está sendo explicado como uma verdade bíblico-teológica, mas existe o perigo de o pregador não se referenciar pela Bíblia e não falar algo que realmente alimente os ouvintes, se ater a assuntos do cotidiano, lidos em jornais ou mesmo experiências pessoais. 

Espera-se do pregador um sermão estruturado com uma introdução feita sempre com oração e leitura do texto bíblico, na sequência o que é chamado de exórdio, quando o pregador atrairá a atenção dos ouvintes. Se o pregador não for eficiente na parte do exórdio, dificilmente terá a atenção das pessoas até a conclusão da pregação. Em seguida se faz a explicação do texto bíblico e então se conclui a introdução com a proposição que é a proposta do sermão. 

Após a introdução o sermão segue com o seu corpo argumentativo, quando as questões abordadas na proposição serão minuciosamente respondidas e a isso chamamos de desenvolvimento. 

Outra parte importante para dar fluência e clareza ao discurso é a frase de transição porque ajuda a subdividir o desenvolvimento para se obter uma compreensão mais profunda. Essas frases não precisam ser enunciadas pelo pregador, mas o ajudarão a organizar o sermão. 

A conclusão ou peroração deve ser cuidadosamente preparada para que os ouvintes entendam o objetivo da pregação, “a moral da história”, uma argumentação que responde as questões abordadas durante a proposição e o desenvolvimento. Outra parte importante na conclusão é uma breve recapitulação e a apresentação de desafios que sejam relevantes para os ouvintes.

3 de nov. de 2020

A importância da Teologia para os pastores

Para pastorear pessoas é fundamental estar habilitado, pois apenas vontade e amor não serão suficientes quando for necessário tomar decisões em momentos difíceis como, por exemplo, confrontar pessoas, situações de injustiça, erros de seus pares também pastores, entre outros posicionamentos que irão requerer autoridade e assertividade. 

Há situações no cotidiano que não permitirão voltar atrás, ignorar, não dizer nada, não aconselhar, se isentar, para tanto, estar preparado é fundamental no ministério pastoral. A práxis pastoral passa pela teologia que abarca as mais diversas abordagens possíveis e necessárias no preparo de líderes respeitáveis, relevantes, interessantes e consequentemente bem sucedidos em seus trabalhos. 

No momento de aconselhar os membros de sua comunidade que estão com problemas pessoais o pastor bem formado em teologia terá, por exemplo, conhecimentos sobre os estudos de Sigmund Freud e Viktor Frankl. 

Caso precise refletir sobre questões existencialistas poderá dialogar baseando-se no que aprendeu sobre Soren Kierkegaard e Martin Heidegger. 

O pastor que abraçou a teologia também conhece a história da Igreja, sabe bem sobre os erros e acertos dos pais da Igreja, por exemplo, as ideias de Irineu de Lion e Eusébio de Cesareia que fundamentaram a preeminência do Vaticano, ou ainda os acertos de Agostinho de Hipona ao resgatar o assunto da Graça Salvadora. Enfim, esse pastor ciente dificilmente será conduzido pelo caminho errado. 

A Teologia, por meio da exegese, oferece instrumentos para aprimorar a análise e compreensão dos textos bíblicos, oferece também conhecimentos sobre hermenêutica e conduzem o aspirante a pastor pela trilha para conseguir comunicar as verdades bíblicas de maneira clara, compreensível, correta e livre dos vícios de linguagem, da falta de reflexão, dos equívocos de interpretação, do anacronismo, entre tantos outros riscos que corremos ao aceitarmos a responsabilidade de fazer um sermão em uma de nossas comunidades. 

Porém, um ministério pastoral equipado e fortalecido por esta geração deve ter um fundamento bíblico e teológico adequado. A metodologia sem uma base adequada é perigosa e, em última análise, sem poder. Em outras palavras, seria melhor que entendêssemos a nossa identidade, antes de começarmos a lidar com o trabalho da Igreja e do ministério no mundo atual. Não nos atrevemos a estabelecer funções pastorais fundamentadas em modelos humanos, pois realizaremos pouco para Deus. (FISHER, 1999, p.8) 

A especialização para o pastor passa pela Teologia, pois não adiantará lançar-se ao desafio sem conhecer corretamente as escrituras e toda a compreensão dela ao longo de nossa história. Seria semelhante ao médico que ignorasse as mais recentes descobertas da medicina e ainda dependesse de tentativa e erro para descobrir quais as melhores práticas em sua função. 

Também não é apenas um trabalho de oratória, facilidade de falar em público, pois para falar com propriedade é necessário refletir e compreender assuntos complexos e saber quais foram as conclusões de homens capazes do passado, versados nos idiomas originais dos textos bíblicos. 

Estratégias de marketing não serão a base de nenhuma Igreja, pode ser útil como uma ferramenta, mas não será isso que definirá se uma Igreja é saudável, fiel e que “produz um bom fruto”, ou seja, relevante em nossa sociedade. 

É por conhecerem pouco sobre Teologia e consequentemente sobre a função pastoral que pastores despreparados cometem uma série de erros primários ao se importarem com questões que não são de sua responsabilidade, quando intervém, por exemplo, em decisões pessoais de membros de suas comunidades, quando exigem determinado padrão de vestimenta e até mesmo corte de cabelo e barba, comportando-se de maneira semelhante a ditadores de terras distantes. 

Sobre a falácia de que o conhecimento é prejudicial a fé, afirmo que ela vai contra todo o esforço evangelístico desde a Grande Comissão, acreditar por ignorância é uma prisão e sobre isso “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32) O saber também não deve ser compreendido como soberba ou arrogância, citar bons teólogos do passado não deve ser visto com maus olhos, ao contrário, precisamos valorizar todo o desenvolvimento cristão nesses cerca de dois mil anos de labor teológico.

30 de out. de 2020

A Igreja e a Missão são inseparáveis

Somos a Igreja quando assumimos a responsabilidade confiada a nós como Igreja, tal como a perícope no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículo de 18 a 20: 

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! 

As últimas instruções de Jesus aos seus discípulos continuam sendo nossas últimas instruções e assim devemos proceder, anunciando as verdades sagradas por toda a Terra até o fim. Uma primeira observação é de que a compreensão da Grande Comissão esteve incorreta por um longo período de tempo enquanto se pensava que essa missão era estritamente transcultural, hoje temos a clareza de que mesmo no local onde estamos fixados, seja onde for, assim que nos tornamos Igreja, ou seja, parte do Corpo de Cristo, automaticamente estamos em meio a Missão. A questão é se vamos cumprir a missão ou não. 

Segundo Blauw (1966) a Igreja é testemunha de Cristo no mundo, ou então não será Igreja obediente a Cristo, trata-se da natureza missionária da Igreja, e isto deve ser feito sem ter como base os confins da Terra, sendo que o componente geográfico não é determinante para a Missão, esse foi um pensamento muito forte nos séculos XVIII e XIX. 

Compreendemos que o foco na missão transcultural teve e tem uma importância vital para a Igreja, precisamente, não podemos abandonar a missão transcultural, pois seria um novo erro, a Missão deve ser completa, a questão geográfica não deve ser vista como fator restritivo para a Missão, só assim será um componente legítimo. 

Existem muitos obstáculos para a Missão transcultural, tais como a opressão islâmica que não permite a conversão ao Cristianismo, ou ainda grupos radicais como Boko Haran que perseguem vilarejos cristãos na África Subsaariana, ateiam fogo em Igrejas e sequestram cristãos. Em países asiáticos é comum os governos restringirem a pregação do Evangelho, proibirem a leitura da Bíblia inteira ou parte dela, por motivos políticos via ideais do Comunismo Marxista ou por razões religiosas e culturais. 

Outra questão é o abandono das localidades onde a Igreja já está instalada, sem prestar qualquer auxílio à comunidade, não fazendo qualquer diferença em meio a suas atividades corriqueiras, repetitivas e sem impacto na sociedade. É um perigo muito grande a comunidade de fé estar à margem da sociedade, atribuindo para si um status de separada por ser sagrada, deixando de ser sal e luz, enfim deixando de ser a Igreja. 

Não importa se deixamos de atuar na missão no contexto local ou se deixamos de atuar nas missões transculturais. “Uma motivação baseada na autoproteção não nos conduzirá à Grande Comissão, mas sim a uma grande omissão (Borges, 2007)”. 

A princípio parece fácil a ação de fazer a diferença em sua cidade, seu bairro, local onde muitas pessoas te conhecem, mas a realidade é bem diferente, pois onde te conhecem também te julgarão pelo seu passado, podem inclusive não te respeitar por ações de antes de se posicionar como cristão, ou mesmo por ações quando já se apresentava como cristão, afinal de contas, não somos perfeitos. 

A falta de atenção na localidade ou um trabalho pouco relevante podem tornar um local outrora cheio de cristãos e de pessoas em recuperação num local sem qualquer fonte de esperança, compaixão ou acolhimento, um lugar sem fé, que dependerá novamente de uma missão transcultural vinda de longe para resgatar os valores e as virtudes cristãs. Seja na missão transcultural ou numa ação local, a verdade é que precisamos nos expor e isso é desconfortável, perigoso, desgastante, e ao mesmo tempo é o que nos faz sermos Igreja.

26 de out. de 2020

A quebra de paradígmas e a continuidade da Missão

A Missão da Igreja
A Missão evangelística está fortemente vinculada ao texto de Mateus 28:19-20 ”Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” e como podemos ler nestas palavras de Jesus, quem os enviou, não há qualquer menção à conquista de outros povos pela força, nem qualquer recriminação aos hábitos culturais de outros povos, o que Jesus ordena é que seja ensinado a maneira de se viver conforme o exemplo que ele lhes mostrara durante o seu tempo de convivência, entre dois e três anos de discipulado. A ordem é que seus seguidores façam novos discípulos, o ensino então deve ser por meio do discipulado, com convivência e não com preconceitos e não aceitação das diferenças. 

É importante pensarmos que os judeus que foram os primeiros a receber o Evangelho precisaram mudar sua forma de pensar sobre a fé judaica, aceitando novos limites baseados em princípios muito básicos como o Shema, por exemplo, quando Jesus menciona o texto de Deuteronômio 6:5 para destacá-lo como mandamento mais importante “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” e continua acrescentando “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12:29-31) Numa quebra de paradigmas mostra que a essência da lei é o amor, primeiro a Deus e depois para toda a humanidade. 

Assim também nós precisamos impactar as outras culturas com a mensagem do amor em primeiro lugar a Deus, para que deixem suas práticas religiosas oferecidas a outros deuses e passem a oferecer adoração ao único Deus verdadeiro, e de semelhante forma precisamos ensiná-los a fazer o melhor pelo próximo, deixando todas as práticas que fazem mal aos demais ou a eles mesmos e isso significa aprender com cada cultura detalhes sobre suas práticas afim de sermos capazes de instruí-los e também capacitá-los para que possam julgar por si mesmos se tais práticas devem ser abandonadas ou não, evitando assim qualquer forma de dependência ou fragilidade em uma religião superficial. 

A transformação de cada indivíduo precisa ser voluntária, nunca por força ou violência e nem por constrangimento cultural, hostilizando práticas diferentes sejam elas as artes ou formas de expressão ou comportamentos estranhos aos nossos, o essencial não é o exterior e sim o interior. Se o amor for o crivo, assim como a Palavra de Deus, não haverá desvirtuação da Missão confiada a nós. 

A missão primordial é a de Deus, pois foi ele quem mandou seus profetas, seu Filho, seu Espírito. Destas missões, a do Filho é central, pois foi o auge do ministério dos profetas e incluiu em si, com clímax, o envio do Espírito. Agora, o Filho envia – como ele próprio foi enviado. Mesmo durante seu ministério público, ele enviou primeiro os apóstolos, e então os setenta como um tipo de extensão de sua própria pregação, ensino e ministério de cura. Em seguida, após sua morte e ressurreição, ele expandiu o alcance da missão ao incluir todos que o chamam de Senhor e chamam a si mesmos de seus discípulos. Outros estavam presentes com os 12 quando a grande comissão foi dada. Por isso, não podemos restringir sua aplicação aos apóstolos. (Stott, 2010, p.27) 

Somos enviados com a missão de anunciarmos o amor de Deus e a entrega expiatória de seu Cristo e orarmos com imposição de mãos para que recebam o Espírito Santo, somos nós agora os responsáveis pela quebra de paradigmas e pela continuidade da obra missionária, treino e envio de mais discípulos de todas e para todas as nações.

19 de out. de 2020

A importância da resiliência para os conselheiros religiosos

A importância da resiliência no aconselhamento pastoral não pode se resumir à pessoa assistida durante o aconselhamento, a pessoa mais frágil e que precisa de apoio. É preciso pensar no todo, afinal, todos são pessoas e o pastor que se dedica a atender pessoas em situações adversas pode ser sobrecarregado pelos problemas alheios, pois um mesmo pastor pode estar lidando com dezenas de situações que exigem saúde física, psíquica e espiritual. Segundo Frankl (2007) o ser humano tem essas três dimensões que precisam estar em equilíbrio. 

Essa tricotomia só poderá ser mais bem compreendida pelo conselheiro religioso, pois pessoas sem formação religiosa não poderão atender a necessidade de resolução de problemas relacionados ao esforço humano para estar em equilíbrio, por exemplo, diante do desânimo, da incerteza e insegurança ocasionados pela falta de fé. Esse é só um exemplo das diversas formas de sofrimento relacionadas à espiritualidade dos seres humanos. 

Aconselhamento Pastoral
O aconselhamento pastoral deve servir como uma forma de ajudar pessoas que estão precisando de direcionamento, mas também é uma forma de socorro para pessoas que podem estar correndo perigos mortais, como por exemplo, desejos suicidas. A pressão é grande sobre as pessoas que lidam com esse tipo de compulsão e patologia. 

Essa pressão tende a causar transformações no conselheiro e isso não é necessariamente ruim, caso o conselheiro seja resiliente, se adapte às novas informações, se mantenha firme em suas convicções religiosas, encontre uma maneira de equilibrar as emoções e por último, mas não menos importante, cuide de sua saúde física. 

O cuidado com a espiritualidade consiste em não ser inconsistente em suas resoluções, manter uma rotina de oração, leitura da Bíblia, leitura de demais literaturas que possam servir de apoio, comunhão com a família, com o grupo religiosos do qual faz parte e também a comunidade onde está inserido, sejam vizinhos, colegas de trabalho, escola ou hobbys. 

A saúde psíquica da pessoa vocacionada para o aconselhamento precisa ser observada nos sintomas que significam perigo, mas também precisam ser tomados cuidados como prevenção para evitar que determinada experiência seja destrutiva, demasiadamente dolorosa ou ainda traga prejuízos em outras áreas de atuação do conselheiro, bem como, seus relacionamentos pessoais, conjugais e familiares. 

Segundo dados do Instituto Schaeffer, dos Estados Unidos, 70% dos líderes religiosos lutam constantemente com a depressão, 71% estão esgotados física e mentalmente, ainda dados da pesquisa apontam que 80% dos líderes religiosos acreditam que sua função pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo. 

Sem amigos, pressionados pelas obrigações familiares e preocupado com todos os membros de sua comunidade e seus familiares, lidando com enfermidades, situações de vulnerabilidade social, diante de situações traumáticas, lidando com os egos e conflitos internos, além é claro do aconselhamento pastoral, ser pastor é um trabalho perigoso. 

Resiliência é vital para os líderes religiosos e a tarefa do aconselhamento pastoral deve se estender também ao conselheiro por meio de redes de apoio, um conselheiro para conselheiros, um ouvinte para ouvintes, um “ombro amigo” para os “ombros amigos”, um apoiador para os apoiadores. 

Há uma cultura de se ignorar os sofrimentos dos pastores e em alguns círculos o pastor que se atrever a fazer queixas será malvisto. É um problema porque impede muitos conselheiros dedicados e que já ajudaram tantas outras pessoas a suportar as suas cargas e que agora quando estão debilitados são abandonados à própria sorte. Os líderes religiosos sofrem pela falta de empatia. 

Toda essa falta de consideração com os pastores e conselheiros religiosos em geral, no entanto, não afetam sua disposição para os cuidados pastorais, essa característica está ligada ao que dá sentido às suas vidas, seu propósito, sua vocação, que é o cuidados dos outros. 

Segundo a sistematização de Viktor Frankl, chamada de logoterapia, ao analisar o comportamento de pessoas que diante de situações horrendas ficavam deprimidas e/ou se suicidavam, enquanto outras se mantinham firmes em suas resoluções, constatou que o interesse principal do ser humano não é encontrar o prazer ou aliviar a dor, mas encontrar um sentido para a vida (Guia de Estudos, 2º Semestre de 2017, p.68). 

Embora estejamos alarmados com o crescente número de líderes religiosos que cedem diante das pressões e se suicidam, podemos afirmar que são as melhores pessoas para aconselharem e cuidarem de outros, pois encontraram um propósito e agora podem ajudar pessoas em crise a também encontrarem seu propósito. 

Nosso trabalho agora é de conscientização de que pastores e pastoras são apenas seres humanos e também precisam de apoio e compreensão enquanto lidam diariamente para serem resilientes e não se deixarem deformar diante de toda a pressão que sofrem.

15 de out. de 2020

O voto de pobreza e o dom de ser generoso

O desapego aos bens materiais ensinado por Jesus de Nazaré é uma inovação religiosa diante da história das religiões que geralmente pregam o acúmulo de riquezas como uma dádiva divina. Nas palavras do messias Jesus Cristo “não devemos juntar tesouro na terra, onde tudo pode ser perdido, ao contrário, devemos juntar tesouros na eternidade, é muito melhor ter o coração na eternidade e não se deixar corromper pela corrupção terrena (Mateus 6:19-22). 

Mediante esse ensinamento os discípulos e a Igreja do primeiro século dedicaram-se a investir seus bens materiais para a manutenção das comunidades cristãs, assistência aos órfãos e às viúvas e em prol do avanço das missões evangelísticas, num modelo exemplar de desapego aos bens materiais. Houve também excessos, por exemplo, pessoas que para aparentar o desapego aos bens materiais fingiam que estavam doando tudo o que tinham quando na verdade estavam retendo parte, numa mostra do potencial para a deturpação do princípio do desapego enquanto ostentação e orgulho de uma aparente piedade. 

No século IV com o fim da perseguição religiosa imposta pelos romanos, a construção de templos suntuosos e a profissionalização dos religiosos o desapego deixou de ser uma característica da Igreja, agora uma instituição, ao contrário, acumuladora de riquezas terrenas. Nesse contexto de ignorância do ensino messiânico e da forma de ser igreja do primeiro século, tanto a Igreja como as sociedades cristãs europeias se desenvolveram sem observar a injustiça social e o abuso cometido pelos detentores das riquezas. Assim, no século XII, o monge São Francisco, em Assis, começa um movimento pacífico de enfrentamento às injustiças cometidas pelas elites de sua época, recusando qualquer vínculo aos negócios terrenos, numa atitude de contemplação e dedicação a vida religiosa. 

Esse modo de ser franciscano era subsidiado pelos cidadãos europeus que observando a dedicação dos monges faziam ofertas para o sustento das suas obras. Os monges por sua vez não acumulavam riquezas, não possuíam terras e se dedicavam a evangelização. 

No século XVI, outro movimento, a Companhia de Jesus, tendo entre seus fundadores o Santo Inácio de Loyola, começou também um trabalho de expansão da fé católica. Esses chamados Jesuítas, também tinham entre seus valores o voto de pobreza e tal como os franciscanos se mantinham com as esmolas dos fiéis. 

Durante o período de colonização do Brasil, ambas as missões trabalhavam entre os colonos e os nativos, no entanto, não havia cidadãos abastados para sustentar o avanço das missões e como todos os indígenas deveriam ser ensinados o investimento necessário era alto. 

Os jesuítas para resolverem o problema foram pragmáticos, não rejeitaram a oferta de mão de obra escrava e acumularam muitos escravos cedidos pela Coroa Portuguesa. Também não seguiram as regras dos fundadores da ordem, de se absterem dos negócios e viverem das ofertas e passaram a lavrar a terra e possuir animais para comércio. Decidiram deixar de lado um dos valores dos fundadores da ordem conforme as palavras do Padre Manoel da Nobrega “E temo que fosse esta grande invenção do inimigo vestir-se de santa pobreza para impedir a salvação de muitas almas” (Nóbrega, 1955: 393). 

Os franciscanos foram rígidos e mantém até a atualidade o prestígio do voto de pobreza. 

Para nós, religiosos do século XXI, o voto de pobreza é romantizado por alguns, ridicularizado por outros e pouco compreendido pela maioria. 

As sociedades da atualidade, cristãs ou não, no ocidente voltaram a vincular o acúmulo de riquezas à benção divina e como se Cristo não tivesse dito nada a respeito do assunto, as Igrejas, não todas, simplesmente ignoram o texto e ensinam o contrário, enquanto constroem templos suntuosos e adquirem negócios em rádios, emissoras de Televisão e outros tipos de comércio. 

Se fosse em prol do ensino do Evangelho, para alcançar os perdidos em todos os locais mais remotos da Terra, ou para caridade atendendo população em situação de rua, ajudando órfãos, viúvas, caridade em geral ou investimentos em saúde como nos casos das Santas Casas de Misericórdia, se fosse qualquer um desses motivos poderíamos alegar certo pragmatismo por parte das lideranças religiosas, mas a verdade é que não estão pensando no próximo, ou na expansão do Evangelho. Infelizmente são pastores de si mesmos que há tempos deixaram de se importar com o tesouro nos céus e que agora trabalham para construir fortuna terrena. 

No trecho a seguir, extraído do livro do Reverendo Augusto Nicodemos, O que estão fazendo com a Igreja? ao tratar do assunto da falta de fé, logo a abordagem se torna o problema da real motivação dos líderes religiosos, riqueza terrena. 

Tive amigos que eram membros de uma igreja cuja o pastor eu desconfiava que fosse incrédulo. Perguntando-lhes como eram as pregações, descobri que o problema não era o que o pastor dizia, mas o que ele deixava de dizer, os temas que ele evitava, os assuntos que nunca mencionava, como a ressurreição de Cristo, a infalibilidade das Escrituras. a veracidade e confiabilidade da narrativa bíblica, o poder do Espírito para regenerar a natureza humana pecaminosa. a morte vicária de Cristo, a realidade da tentação e da luta cristã. Havia aprendido a sobreviver dessa maneira, evitando matérias de fé e pregando aquilo que um rabino, mestre espírita ou líder muçulmano também pregaria: a honestidade, o amor ao próximo, o voto pelo desarmamento. Um de meus filhos leu o rascunho deste capítulo e logo me perguntou: "Papai, por que alguém gostaria de ser pastor se não tem Fé? Não tem uma maneira mais fácil de ganhar dinheiro?". Pois é, o pior é que não tem. Dentro da igreja, tais pastores são vistos como intelectuais respeitáveis para questionarem "cientificamente" algumas doutrinas, mas o que seriam fora dela? Nada. Apenas mais alguns incrédulos no mundo. (Nicodemos, 2008, p. 21) 

Pessoas que tem fé abrem mão de suas riquezas, se sacrificam com alegria e por julgarem necessário podem decidir por uma vida de desapego, investindo seus bens financeiros para ajudar missionários ou ajudarem suas comunidades de outras formas, mas sempre voluntariamente, com muita alegria e generosidade. 

A reação mais comum diante desse tipo de decisão é sentirmos pena da pessoa por estar se desfazendo de seus bens. Podemos até questionar se realmente é necessário se desfazer de tudo. Certo ceticismo pode ser saudável para a Igreja, pois não é sábio aceitar tudo sem questionar. Será mais correto se quando testemunharmos o contrário, as pessoas acumulando riquezas terrenas de maneira desordenada, sem honestidade, vendendo objetos supostamente sagrados, num estelionato descarado, dessas pessoas sim, sintamos pena, pois elas perderam a fé e são motivadas exclusivamente pelos ganhos terrenos.

13 de out. de 2020

A falência pessoal e comunitária pela falta de propósito

Um dos motivos para a falência pessoal na atualidade é a falta de propósito, não saber qual é sua vocação e assim não ter um sentido para sua vida. Esse fenômeno chamado crise existencial afeta o ser humano especialmente quando ele não tem mais uma urgência ou emergência pessoal ou comunitária, por exemplo, uma crise financeira, enfermidade, problemas familiares, violência, entre outros. Todos esses infortúnios são um oponente contra o qual lutamos bravamente até que não precisemos mais, então, quando não se tem mais que sobreviver, começa a crise existencial. 

Na história da Igreja e do pensamento cristão não é muito diferente, pois enquanto era perseguida por judeus e romanos nos seus três primeiros séculos resistia bravamente enquanto anunciava as maravilhas de Deus onde estivesse presente. Quando a perseguição findou após o Édito de Milão no século IV a Igreja começou a se conformar ao seu mundo, e assim foi durante a Idade Média, com suas missões colonialistas, exploratórias e políticas. 

Após a Reforma Protestante de 1517 a Europa experimentou novamente o sabor e a iluminação de uma Igreja novamente centrada em Cristo, não perfeita, ainda cheia de subversões, mas voltando para o prumo, a vocação, propósito e chamado para o qual fora eleita. 

Segundo a análise exegética de Blauw (1966), do texto da Primeira Epístola do Apóstolo Pedro, no capítulo dois, nos versículos nove e 10, Deus chamou a Igreja, que somos todos nós cristãos de todos os séculos, das trevas, em sua desordem e falta de propósito, para sua luz, e nos deu títulos, tais como sacerdócio real, geração eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas Dele, sendo assim, quando aqueles que se consideram Igreja não cumprem a Missão, automaticamente perdem seus títulos e não devem mais considerarem-se povo de propriedade exclusiva de Deus, sacerdócio real, geração eleita e nação santa. 

A Igreja atual está parcialmente moldada conforme os anseios da sociedade, ganho de capital, segurança patrimonial, imediatismo e status. Mesmo denominações com trabalhos de expansão não conseguem esconder seu interesse em anunciar os seus números de templos, pessoas, arrecadações, tudo posses, tudo da Igreja. Em seus anúncios são ofertados milagres financeiros, são vendidas curas e mais bençãos sobrenaturais. Renunciaram seus títulos e não são mais povo de Deus, ainda assim acreditam que Deus pertença a eles e assim sendo o oferecem como um produto. 

A Igreja passa por uma crise existencial terrível e nesse contexto muitas pessoas que não estão em busca de alento para suas aflições pessoais também não encontram nela propósitos, por isso o fenômeno chamado “desigrejados”, pessoas que não vêm sentido em congregar, não querem um produto, não estão desesperados por cura ou sucesso financeiro, mas são carentes de ouvir sobre as maravilhas de Deus e de pertencerem a Ele. 

Pedro revela que Deus demonstra uma possessividade para com seu povo quando escreve: “Mas vocês são um povo escolhido, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo pertencente a Deus” (2.9).20 Com um a referência a Oséias 2.23, Pedro declara que os leitores que, no passado “não [eram] povo”, passaram a ser chamados de “povo de Deus” (2.10), isto é, Deus lhes deu um novo nascimento. (Kistemaker, 2006, p21) 

Ao pensarmos na Obra que nos foi confiada como Igreja, há uma inversão de valores, sendo que a Igreja não possui nada, assim como não possui Deus, também não possui a Missão, ao contrário, Deus possui a Igreja na medida que a Missão também possui a Igreja. Quando a Missão de Deus, Missio Dei, possui a Igreja e todo o trabalho que é executado por amor a Deus é planejado como tarefa intrínseca ao sentido de a Igreja existir, a isso podemos chamar de propósito, sem o qual não faz sentido algum congregar, pois deixamos de ser Igreja no sentido de povo de propriedade exclusiva de Deus e passamos a ser apenas igreja, no mesmo sentido do grego eklesia, apenas mais um ajuntamento. 

Pedro escreve para pessoas que estavam vivas antes da destruição do templo de Jerusalém. Ele próprio um judeu, Pedro se dirige a muitos cristãos judeus e cristãos de descendência gentia. Além disso, ele fala aos crentes de todas as épocas e lugares que lêm sua epístola. Conhecendo muito bem o Antigo Testamento, Pedro aplica as palavras dessa parte das Escrituras aos seus leitores, porque ele os vê como povo escolhido por Deus. Ele toma emprestada a profecia de Isaías, que registra as palavras do Senhor: “Ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.20,21). Pedro, portanto, vê os crentes como corpo de Cristo, isto é, a igreja. (Kistemaker, 2006, p.126) 

Nossa tarefa principal como Igreja é anunciarmos que é chegado o Reino de Deus e isso nós podemos fazer tanto por meio de textos, vídeos, áudios, por meio das artes, de maneira criativa, pela internet, pessoalmente, dentro e fora dos templos, em nossos locais de trabalho, escola, nossa comunidade, vizinhança, mas precisa ser essencialmente pelo nosso exemplo. 

28 de dez. de 2018

Profecias, a perspectiva do Antigo Testamento e a perspectiva atual


Os profetas do Antigo Testamento ousavam enfrentar toda uma nação e pagar o preço que fosse necessário para anunciar as Palavras do Eterno.

Isaias fazia previsões apocalípticas e pregava sobre o juízo com profecias fúnebres sobre os destinatários.

Jeremias era engajado nas questões sociais, não usava abstrações ou generalizações para denunciar os abusos dos ricos, pois os identificava e assim se tornou adversário de toda uma classe de líderes e religiosos em Israel. Ele experimentou o ódio do rei e descrédito de seus pares profetas em um jogo de inversões no qual ele era taxado de falso profeta porque profetizava a verdade, a ruína do povo, enquanto os falsos profetas agradavam o rei e se mantinham confortáveis em suas posições na corte, mas sendo falsos profetas, enganavam-se uns aos outros.

No cativeiro da Babilônia, Ezequiel revelou suas memórias, anunciou a revelação divina do Eterno enquanto vivia entre escravos e usando a ironia profetizou sobre a queda da Babilônia. Sua profecia era de restauração de Israel, utilizava simbologias usando o reino animal e fazia lamentações fúnebres.

 O ministério dos profetas no Antigo Testamento mantinha as tribos unidas, um tanto civilizadas e a convivência era facilitada por esse agente social encarregado de proclamar a vontade de Deus. Essas proclamações e todo o cuidado do profeta com o povo era feito por meio das profecias, fossem elas orais ou escritas.

O mistério de profetizar o que acontecerá no futuro era creditado a Deus caso se cumprisse a profecia e assim o profeta era confirmado como verdadeiro se sua profecia fosse verdadeira, mas caso a profecia não se cumprisse o profeta passaria a ser considerado um falso profeta por sua profecia ser falsa e a origem da profecia era atribuída a ele mesmo. 

Hoje em dia pessoas se dizem profetas ou adivinhos, mas caso suas palavras não se cumpram elas alegam que “Deus mudou de ideia”. Por isso há muitos que desacreditam da profecia na atualidade.
Pessoas são manipuladas por falsos profetas ou falsas profecias, tomam decisões muito importantes e arcam com consequências das mais diversas, como falência nos negócios, relacionamentos e até casamentos precipitados, trabalho sacerdotal sem vocação entre outros.

Vertentes teológicas não acreditam na profecia na atualidade, assim como não acreditam no milagre da cura e da glossolalia por exemplo. Pautam-se na crença de que somente as escrituras sagradas são a revelação do Eterno e não é necessário qualquer adicional, considerando tais fenômenos puramente humanos e não espirituais.

Outras correntes afirmam que o dom de profetizar continua vivo e serve para a edificação da Igreja. Essa afirmação está de acordo com os escritos do Novo Testamento, mais precisamente do Apóstolo Paulo, mas tem sido subvertida e utilizada para autopromoção e também para massagear os egos de pessoas carentes e muitas vezes sem qualquer outra esperança se não na busca pela manifestação do sobrenatural.

Atualmente a profecia normalmente não é feita de maneira negativa, principalmente por que vivemos numa era de incessante busca pelo bem estar e pela promoção pessoal e a ultima coisa que as pessoas querem é fazer inimigos poderosos.

Outra forma de se observar a profecia em nossos dias é pela ótica positivista de que devemos determinar algo com fé e autoridade, dando a essa atitude também o nome de profecia, mas quando não ocorre conforme a “determinação” a alegação varia entre a de que “não era a vontade de Deus” ou a de que “faltou fé”. Em todo caso a origem é humana e a profecia, apesar de não poder chamar de charlatanismo, classificaria como uma péssima escolha de nome, pois na verdade é um equivoco teológico chama-la de profecia, pois se trata de uma oração com fé. Concluindo esse ponto sobre profetizar com fé acrescento que a exemplo dos profetas do Antigo Testamento uma profecia é a vontade de Deus revelada aos homens e não a vontade dos homens revelada a Deus, pois isso, novamente, se chama oração.

Há muitos outros perigos na atualidade como, por exemplo, anunciar a própria Palavra de Deus revelada nas escrituras, o que contraria muitos segmentos da sociedade e suas práticas, além disso, em muitos países as escrituras são proibidas de serem anunciadas e muitos cristãos padecem por isso.

Os profetas da atualidade são os homens e mulheres que não temem a morte e anunciam a Palavra, por amor a Deus, abrindo mão do próprio bem estar e nunca, em hipótese alguma, se deixam levar pelos agrados desta vida para fazer “profecias agradáveis” aos reis. 

24 de dez. de 2018

Autocontrole

Citado por Paulo como virtude cristã, juntamente à hospitalidade, benignidade, sobriedade, justiça e piedade. Tito 1:8


Por quê?

Deus criou o homem para que dominasse sobre todos os animais da terra, sobre todas as aves dos céus e sobre toda a criação, de maneira que serviria a somente um Senhor, exercendo assim o auto-controle.

Citado por Pedro juntamente de conhecimento, perseverança e piedade. 2 Pedro 1:6.

Observe que Paulo e Pedro tiveram ensinamentos distintos, Pedro aprendeu o Evangelho diretamente com Jesus, de diferente forma, Paulo era um Fariseu, pertencendo ao Sinédrio, formado no colégio Gamaliel, era um doutor da Lei, mas ambos descrevem como parte fundamental do caráter cristão.

Do grego: Egkrateia, cuja raiz “kratos” significa “ter domínio sobre”, “exercer poder sobre”, “ter autoridade sobre”. O termo se relaciona à autoridade.

Sinônimos: Domínio Próprio e Temperança

Aplicação: Disciplinar-se corpo e mente, para superar a dificuldade de concentração, ou para não se precipitar em um momento de ira, ou até mesmo resistir a impulsos naturais.

Podemos entender melhor a aplicação prática do "domínio próprio" pensando no oposto, ou seja, quem não tem o "domínio próprio" é certamente dominado por algo.

Pode ser dominado pela Paixão e assim cometer pecados, tais como, Prostituição, Impureza e Lascívia.

Dominado por uma Circunstância, pode desesperar-se e então se valer de idolatria ou feitiçaria.

Se for dominado pela vaidade, sempre tentará superar o próximo, podendo causar: Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções e invejas.

Caso não domine o próprio ventre: Glutonarias e Bebedices.

Conforme está escrito em Gálatas capítulo 5 versículos 19 e 20:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus

É preciso então escolher os bons sentimentos e as boas atitudes, para os quais não há condenação e não se deixar dominar pelos impulsos para não ter que arcar com as suas consequências.  



17 de dez. de 2018

A Doutrina Social da Igreja na época dos pais da Igreja

As características da Doutrina Social da Igreja já estavam presentes entre os primeiros cristãos que por conta disso sofreram discriminação e perseguição por tratarem os pobres e os menos favorecidos com solidariedade em um tempo em que era comum o desprezo e o abuso pelos chamados “nobres”, apesar disso, esses princípios continuaram a ser um norte para a Igreja durante o período dos pais da Igreja.

A respeito da Dignidade Humana, Tertuliano disse que se o ser humano recebeu gloria de Deus no toque, recebeu ainda mais gloria com o sopro de vida em seu ser. O autor africano atribui grandes merecimentos por meio das maravilhas operadas por Deus em sua criação. Gregório de Nissa, que vivia em meio a um povo que não tinha princípios cristãos de solidariedade, subsidiariedade e bem comum, entendia que isso se devia ao fato do pecado que deformou o ser humano e o afastou desses princípios trazendo consigo a injustiça, a divisão e a falta de amor. Basilio de Cesareia atestava que conforme o texto de Mateus 25:35, aqueles que saciam a fome do próximo estão caminhando para a vida eterna, ou seja, para entrarem no Reino dos Céus. Gregório de Nazianzo denunciava, no seu tempo, a opressão dos pobres por aqueles que detinham o poder e os meios econômicos, que acumulavam riquezas sem se importar com quem não tem nada, nem com órfãos ou viúvas.

Sobre o Bem Comum, Joao Crisóstomo entendia que as coisas que foram criadas por Deus não poderiam pertencer a suas criaturas por elas se apropriarem delas, mas tudo o que somos devemos a ele, junto com a vida, o respiro, a luz, o ar e a terra. Quando a pessoa fala de algo como se fosse dela é algo sem sentido. O verdadeiro autor da criação é Deus e reconhecermos sermos estimados dignos instrumentos em suas mãos. Para Agostinho os dons que Deus nos concedeu são para todos os homens, não por mérito pessoal, mas porque toda a criação é obra Dele, Ele não deve nada a ninguém, mas dá tudo ao ser humano de forma gratuita e por isso os bens não deveriam ser apropriados.

Quanto a Subsidiariedade, João Crisóstomo coloca em primeiro lugar que o pai de família esteja ligado com seus familiares, porque cada um deve preocupar-se com a salvação do próximo, de maneira que todos tem que conduzir uma ovelha às pastagens convenientes. É preciso cuidar do bem do outro, pagando todas as dívidas financeiras, mas também estar em dia com aquilo que nós devemos a Deus, para que na nossa salvação sejamos bons para o próximo, afim de que a salvação seja dada quando procuramos o bem comum. Teodoro de Ciro disse que o governo é dado por Deus como uma forma de curar as feridas causadas pelo pecado. Assim como os pais tem os meios e por isso são responsáveis pelos seus filhos ou ainda na Igreja há alguns com mais responsabilidades e outros são a eles subordinados.

A Participação está na DSI como resultado da Subsidiariedade e a carta a Diogneto diz que assim como a alma esta no corpo, os cristãos estão no mundo, fazendo o mundo melhor do que as pessoas concebiam, testemunhando um modo de vida admirável e paradoxal, não alheios a vida social. Aristides de Atenas, um apologista, afirma que os cristãos aguardam a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro, enquanto tem os mandamentos do Senhor Jesus, gravados em seus corações.

A Solidariedade é colocada como princípio para uma sociedade de igualdade e dignidade nos direitos, sendo o caminho para a unidade de todos os povos. Estamos todos conectados pelo mundo por meio da tecnologia digital, mas as desigualdades ainda são muito fortes, servindo como forma de manipulação, corrupção e opressão, sendo nacionais e muitas vezes internacionais. Tertuliano fala de uma espécie de caixa comum, onde todos poderiam levar ali quanto pudessem. Era sua modesta contribuição mensal e cada um oferecia de forma espontânea. A Comunidade ajudava também os condenados às minas, deportados nas ilhas e aqueles jogados no cárcere, de maneira que os pagãos diziam “como eles se amam entre eles”. Com quase a mesma referência Justino descreve que a comunidade se realizava em favor dos mais necessitados, sejam órfãos, viúvas, prisioneiros ou mesmo estrangeiros de passagem. Desta forma, a pessoa deveria ser amada ao ponto de se dar a vida por ela, pois pelo depoimento deles a ação das comunidades cristãs visava a caridade para com todos. Tertuliano fala da caridade de Jesus com os sofredores, através da paciência. Cipriano, seguindo Tertuliano dizia que era preciso estar com Cristo para alcançar a Deus. Com Cristo é possível viver o a solidariedade do sofrimento. 

Concluímos com a afirmação de que os pais da Igreja tiveram não só a compreensão dos problemas sociais, como também o engajamento no trabalho para ajudar e socorrer as vítimas dos infortúnios, sempre baseados na Palavra e tendo como principal paradigma a Jesus Cristo. A Palavra de Deus nas Escrituras Sagradas e a atuação de Cristo iluminam a Igreja no seu discurso e atuação no mundo de hoje, onde ela é convidada a reforçar o valor da dignidade humana, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a participação e a solidariedade como princípios da Doutrina Social da Igreja.


14 de dez. de 2018

O mito da interferência da Igreja sobre o Estado e seu ateísmo velado

É comum atualmente ouvirmos ativistas de diversos segmentos da sociedade com práticas contrárias às diretrizes mais básicas do cristianismo advertirem para o fato de o Estado ser laico e por conta disso não ser correto ter interferência dos preceitos cristãos. No entanto um estado laico e democrático deve ser regido conforme o consenso da maioria e não baseado nos conceitos e filosofias de uma minoria. As minorias precisam ter os seus direitos inalienáveis como seres humanos preservados pelo Estado e isso se deve ao fato de estar totalmente de acordo com os princípios cristãos de justiça, compaixão e caridade, não por acaso, mas por sermos uma nação majoritariamente cristã.

Os representantes cristãos do poder legislativo são severamente atacados como retrógrados, alienados, antiquados e até mesmo a Bíblia Sagrada sofre ataques de grupos que se sentem constrangidos pelas demandas dos cristãos e por vezes até mesmo reiteram seu desprezo pelos que professam sua fé em Deus e em Cristo. Há claramente uma ideia injusta de que os valores cristãos devem ser deixados de lado enquanto os pensamentos dos opositores devem ser respeitados e colocados em prática. Essa ideia não é de um Estado laico, mas de um Estado Ateu, como na Europa Oriental, em países como a Albânia em que o cristianismo sofreu severa perseguição e havia a idolatria ao partido que governava.

Essa história não começou a pouco tempo, mas há mais de dois mil anos, quando o Império Romano dominava o oriente médio e em Jerusalém havia um grupo de homens e mulheres que anunciavam um novo Rei, eles foram perseguidos e mortos pelo Estado. Assim continuou por mais três séculos até que o Estado assimilou a doutrina desses homens e o Estado passou a ser cristão por decreto do Imperador Constantino. No século IV a Igreja passou a ser uma instituição reconhecida pelo Estado e se desenvolveu dentro do Império Romano.

Com a queda do Império Romano no século V, a Igreja não desapareceu, mas continuou sendo uma instituição forte, no século VIII, por exemplo, o Papa Zacarias havia tirado Childerico do trono francês para coroar Pepino, o Breve, supostamente abrindo precedente para o Papa nomear e depor reis. Na prática não foi o que aconteceu, pois pouquíssimos Papas tiveram realmente destaque e autoridade para intervir em assuntos do Estado, pois na maior parte do tempo os papas eram na verdade nomeados para atender as demandas de determinados partidos e na maioria dos casos para atender os interesses do rei.

No século X foi estabelecido o Sacro Império Romano e toda a cristandade era governada por um imperador que regia tanto o Estado como a Igreja. O Papa figurava como líder máximo da Igreja, mas quem articulava quem seriam os papas era o Estado. A história conta que no século XI o Rei Henrique III nomeou três papas, sendo eles o papa Bento IX, que foi expulso de Roma, depois foi nomeado Clemente II, na tentativa de recuperar a dignidade da Igreja, mas foi preciso ainda nomear outro papa, agora foi nomeado seu primo, Bruno, que utilizou o nome Leão IX. A partir de então surgiu um forte sentimento de repudio ao controle do Estado sobre a Igreja, isso porque havia a preocupação de o imperador ser mal e nesse caso não se saberia o que poderia acontecer com a Igreja.

Durante o reinado de Henrique IV e o papado de Gregório VII, foi redigido um documento chamado Dictatus, que condenava o controle da Igreja pelo Estado. A história se passa durante o Feudalismo, período em que a autoridade era do senhor feudal e dos monarcas, sendo que todos deveriam estar debaixo da autoridade dos barões e dos reis, o mesmo acontecia com a Igreja. Esse documento foi um marco, pois é a declaração de independência da Igreja, indicando que o Imperador é quem deve prestar contas ao Papa e que o Papa só deve prestar contas a Deus. Ocorreu que morreu o arcebispo de Milão e imediatamente o Rei Henrique IV nomeou um novo bispo de sua confiança. Essa atitude contrariava o Dictatus, e por isso o Papa Gregório VII excomungou o Rei. Henrique IV então se humilhou perante o Papa que o perdoou, mas passado algum tempo voltaram a se enfrentar.

Foi Henrique V quem resolveu o dilema, na segunda tentativa, pois na primeira fora muito radical querendo que a Igreja renunciasse todas as suas terras em troca de sua liberdade, pois bem, na segunda tentativa propôs o acordo de que o Estado nomearia os bispos com base nos princípios do Feudalismo, que chamamos de Investidura Leiga e a Igreja precisaria concordar outorgando autoridade eclesiástica por meio de objetos dados aos clérigos, anéis, báculos ou cajados de pastor. Isso não impediu que o Estado e a Igreja voltassem a se ressentir no futuro, mas foi a melhor solução possível durante a idade média.

Ironicamente, Henrique VIII, no século XVI, foi quem separou a Igreja Inglesa da Igreja Católica Romana, fundando uma Igreja da qual ele mesmo seria o Regente Máximo, algo que perdura até hoje, tendo a atual rainha da Inglaterra como líder da Igreja Anglicana.

Muitos países, tais como França, os Estados Unidos e o Brasil tem em sua constituição artigos que impedem qualquer interferência da Igreja em suas decisões, assim como está assegurado o direito de todo cidadão ter sua fé e prática religiosa respeitados. No Brasil, no entanto, ocorre o seguinte fenômeno, quando a Igreja precisa usar um espaço público, ele pode ser recusado sob a alegação de que o Estado é laico, mas quando uma comunidade que não professa fé alguma pede para usar o espaço do Estado, ela é atendida, isso é um comportamento de Estado ateu e não de um Estado laico em que todos devem ser tratados com igualdade, sendo Igreja ou não.

10 de dez. de 2018

O que faremos com as crianças?


Pouco se discute sobre o lugar ou o melhor método para lidar com as crianças em nossas reuniões e é realmente muito bom nos prepararmos para isso academicamente, pois não é justo com as nossas crianças que os pastores e líderes estejam despreparados para servi-los e assim não atenderem às suas necessidades durante a infância.

Ouvi muitos líderes dizerem que as crianças serão a Igreja de amanhã, mas isso não deveria significar que elas não são a Igreja de hoje e que não necessitam de atenção, o que ocorre de fato é que muitos líderes de Igrejas entregam os cuidados das crianças a pessoas despreparadas e não acompanham o programa da igreja local para as crianças. Não acredito que seja por desprezo, mas por despreparo de nossas lideranças.

As crianças serão a Igreja de amanhã somente se forem bem cuidadas, ministradas com toda diligência e devidamente pastoreadas como todas as outras “ovelhas do rebanho”. Para tanto, precisamos de líderes que entendam que as crianças são a Igreja de hoje e são também servos, adoradores e ministradores como os demais membros.

Crianças sempre estiveram envolvidas nas liturgias das Cerimônias no Antigo Israel, por exemplo, no livro de Êxodo 12:24-27, com a orientação para os Israelitas de que quando as crianças perguntassem sobre o motivo da celebração do Pessah, eles deveriam explicar sobre o livramento dos primogênitos dos Hebreus e a morte dos primogênitos dos Egípcios e assim a tradição oral seria passada de geração a geração e eles assim o fizeram.

Elas podem ter o seu espaço na reunião como os demais membros, pois muitos pensam que as crianças não são capazes de trazer um versículo para meditação, atuar ou apresentar uma dança com a devida competência, cantar ou tocar instrumentos com excelência, ajudar na limpeza, no acolhimento de convidados e tantos outros trabalhos como qualquer outro membro.

Existe é claro uma diferença muito grande entre as capacidades de cada criança, assim como entre os adultos, pois não se pode esperar que um membro recém-chegado a comunidade de fé explique um texto bíblico da mesma maneira que um membro mais antigo, formado em Teologia e com certa experiência em ensinar. Logo uma criança que cresce participando dos cultos e desenvolve as habilidades necessárias deve ter também a oportunidade de participar de maneira ativa. Cito o exemplo de Samuel que desde criança serviu no Templo ministrando diante do Senhor. (1 Sm 2:18).
Qual a melhor maneira de organizarmos os nossos cultos pensando nos resultados decorrentes desta estratégia?

Ramos (2008, p.79) orienta os líderes a elaborarem um culto inclusivo em que as crianças possam participar inclusive da mensagem e que esta seja de possível compreensão, para elas, além dos momentos de oferta, adoração e demais sacramentos para que cresçam compreendendo que participam do corpo e não tenham a impressão de que nunca foram bem vindas à nave da Igreja. Isso é possível, mas a aplicação prática é um grande desafio para nós que ainda precisamos evoluir como Igreja para produzirmos esse resultado e por isso acredito que perdurará o modelo em que parte do culto, por ser de difícil compreensão para as crianças, pois não são capazes de ficar quietos por horas ouvindo sermões e mesmo que fiquem quietos por obediência não compreenderão a mensagem, sendo assim, elas receberão atenção em outro espaço, não porque queremos “nos livrar delas”, mas porque elas precisam de atenção e de uma ministração que possam compreender e guardar em seus corações desde pequenos e infelizmente a Igreja Cristã Brasileira em geral não está pronta para fazê-lo como sugere o autor.

Um caminho viável é a elaboração de um culto semanal, mensal ou ao menos esporádico em que a dinâmica seja pensada prioritariamente para crianças e que os adultos possam cultuar junto com elas e desfrutar daqueles momentos com os filhos e serem ministrados de maneira simples e objetiva, com músicas cristãs de teor mais pedagógico e com muitas ilustrações, encenações, animações etc.

As crianças também devem ser evangelizadas, pois não devemos pensar apenas em como lidar com nossas crianças, mas podemos atrair a atenção de outras crianças e fazê-las sentirem-se a vontade em nosso meio promovendo eventos com brincadeiras e apresentações voltadas para elas. Evangelização não é somente para adultos e devemos encher os nossos cultos de crianças conforme as palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.” (Mt 19:14).

7 de dez. de 2018

Um pouco da História da Septuaginta

Muitas pessoas questionam a autenticidade da Bíblia, o Livro Sagrado dos Cristãos, e os argumentos geralmente são a falibilidade humana e as alterações tendenciosas feitas durante o processo de tradução dos manuscritos hebraicos para os mais variados idiomas tais como o grego, latim, siríaco, armênio, entre outros.

O processo de tradução, obviamente é complexo e exigiu a disposição e tempo de homens capazes, bem instruídos e no caso da Septuaginta, raramente encontrados nos séculos I aC., pois como se pode imaginar, a maior parte da população era analfabeta e pouquíssimas pessoas possuíam os recursos necessários para custear um processo de tradução.

Segundo conta a lenda judaico-cristã, a Septuaginta fora encomendada pelo Rei Egípcio Ptolomeu II, que primeiramente obteve as traduções da Torah e Tehilim, o livro de Salmos, feita na cidade de Alexandria, no Egito, com a intenção de terem os escritos sagrados dos Judeus, em grego, na sua biblioteca. Uma das possíveis razões para isso era o grande número de judeus residentes na cidade de Alexandria.

O nome Septuaginta significa do Latim Setenta, segundo a tradição porque fora traduzida por 72 rabinos, outra versão da história aponta para apenas cinco tradutores e 70 membros do sinédrio que apenas aprovaram a tradução.

Posteriormente, todos os demais livros dos judeus foram traduzidos para o grego, traduções não tão boas como as produzidas em Alexandria, mas foi concluída no século IV dC, a Septuaginta, o conjunto de livros dos judeus traduzidos do hebraico para o grego ou produzidos diretamente em grego como o caso de I e II Macabeus. 

O nome Septuaginta surgiu após a conclusão da obra, do latim Interpretatio septuaginta virorum, obviamente porque era a língua litúrgica da Igreja Romana, mas em grego o nome é hē metáphrasis tōn hebdomēkonta, que significa tradução dos setenta interpretes, abreviado normalmente como LXX.

No século XV, com a reforma protestante, o Canon Cristão ficou dividido em dois modelos, sendo um composto por todos os livros da Septuaginta e outro que, elaborado por Martinho Lutero, desconsiderou os livros Judite, Tobias, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc.

Atualmente críticos e historiadores avaliam a existência da Septuaginta conforme conta a tradição e alguns a consideram apenas um mito, em parte por não existir um fragmento e haverem apenas menções à sua estória de origem. A Septuaginta como conhecemos seria datada apenas do II ao IV século dC. No entanto, no Novo Testamento das 350 menções ao Antigo Testamento, ao menos 300 se referem à versão Grega, como por exemplo, em Mateus 4:4 o uso do vocábulo Deus, conforme a Septuaginta, ao invés de Senhor conforme a Torah ao referir-se a Deuteronômio 8:3.

A diferença de determinados vocábulos acontece pelo limitado conhecimento do grego koiné por parte dos tradutores, pela falta de um correspondente com o significado exato do original ou pela impossibilidade da compreensão de determinadas expressões por questões culturais como, por exemplo, um indivíduo é chamado no hebraico de nefesh, que significa literalmente garganta, mas que se compreende como o indivíduo pela crença de que foi pela garganta que se recebeu o fôlego de vida, enquanto no grego a palavra usada é psiché, alma, vida, pessoa, criatura.


1 de set. de 2018

Mover a Montanha


"Observou-lhes Jesus: “Tende fé em Deus! E, com toda a certeza eu vos asseguro, que se qualquer pessoa ordenar a este monte: ‘Levanta-te e lança-te no mar, e não houver dúvida em seu coração, mas crer que se realizará o que pede, assim lhe será feito’. Portanto, vos afirmo: Tudo quanto em oração pedirdes, tenhais fé que já o recebestes, e assim vos sucederá."

Mc 11: 22-24


A fé para mover a montanha todos nós já temos. Se não tivéssemos não buscaríamos a face de Deus.
O que falta então? Precisamos nos perguntar qual seria o propósito de mover a montanha.

Há certa dualidade no significado da montanha para o povo judeu, pois se por um lado a montanha significa o lugar “mais alto”, onde os deuses desceriam para encontrar os homens, além de uma vantagem militar como forma de proteção contra invasões, por outro lado a montanha também significa um grande desafio, pois para passar pela montanha era necessário escalar, o que envolveria muitos riscos, ou dar a volta, o que poderia tornar a viagem muito mais longa. Pensou, nesse contexto simplesmente mover uma montanha e tirá-la do seu caminho?

Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre o fermento dos fariseus ele estava falando sobre fermento mesmo ou era um símbolo? Quando Ele falou para tirar a trave do olho antes de julgar o irmão, ele estava falando de uma trave mesmo no olho? São metáforas do Mestre.

Quando decidimos viver a vontade de Deus, Ele investe pesado, usando pessoas, fazendo acontecerem muitas “coincidências”, muitos encontros e desencontros, idas e vindas, mas tem momentos que precisamos superar uma montanha. A questão principal é ter a fé certa e essa fé precisa ser em Deus, mas não a de que Ele pode fazer, e sim a de que Ele realmente se importa em fazer e fará.

Se o propósito for o de verem a Glória Dele no esforço do aspirante a alpinista, nada de mover a montanha. Se o propósito Dele for o de que você encontre algum samaritano ou samaritana ao passar por Samaria, então nada de tirar a montanha do caminho, mas se o propósito Dele for realizar um milagre tremendo como sinal para que creiam, não duvide, a porção imensa de terra vai se deslocar.
Isso não é acreditar na fé, mas contar com Deus e viver sobrenaturalmente.

"E quando pedis não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres."

Tg 4:3


O problema não está em Deus, é claro, o problema não está na fé que já temos, mas nos falta propósito para vermos a glória de Deus. A Fé que move a montanha é para quem tem propósito, para quem decidiu ser discípulo do Mestre.

23 de ago. de 2018

Fé

 “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”
Tiago 2:26

Alguém pode dizer então que há uma contradição entre o texto do irmão do Mestre e toda a crença monergista fundamentada nas epístolas paulinas, compreendida nos escritos de Agostinho e posteriormente defendida por João Calvino.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.”
Efésios 2:8

Rejeitando qualquer crença sinergista de que nós, seres humanos, temos algum mérito em nossas decisões benignas, compreendemos que o dom da Fé, é somente concedido por Deus, por sua graça.

Podemos afirmar que os textos de Tiago 2:26 e Efésios 2:8 não se contradizem, mas se encontram, e compreendemos a incontestável manifestação do poder e da salvação do Senhor Deus Todo Poderoso na atitude de fé, ou seja, obediência, vislumbrada diariamente na vida de cada cristão.

Nas palavras de Bonhoeffer (1937), não podemos dizer que “somente o crente é obediente”, sem completar também que “somente o obediente é crente”.

O exemplo mencionado por Bonhoeffer é o do jovem rico que se aproxima do Mestre e indaga sobre como fazer para ser salvo e a resposta de Jesus é resumida em obediência ao mandamento enérgico de se desfazer de seus bens e então segui-lo.

A questão que o jovem tentou levantar era uma forma de autojustificação pela incompreensão da salvação por meio do cumprimento dos mandamentos e ainda uma forma de começar uma discussão filosófica, ética e sem compromisso, mas quando ele foi surpreendido pelo chamado à obediência, encurralado, recuou por ser muito rico e apegado aos seus bens materiais. Mal sabia ele que vender os bens e doar aos pobres seria muito mais fácil do que o mandamento seguinte, de seguir os passos do Messias.

Concluo que a Fé genuína produz a obediência e a obediência é além de uma prova, uma porta que abrimos para vivermos um relacionamento íntimo e sincero com Deus, livre de qualquer espiritualidade barata e emocional, um caminho para a Vida Eterna que só Jesus concede e concede somente aos seus seguidores, chamados seus discípulos.