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5 de nov. de 2020

Os tipos de Sermões e as partes da Prédica

Há muitas formas de se comunicar uma mensagem, seja por meio de recursos audiovisuais, apresentações artísticas como danças e teatro, mas a mais tradicional e bem sucedida de todas é a prática da comunicação verbal, por meio dos sermões, da pregação da Palavra falada diretamente para os ouvintes de uma comunidade. 

Atualmente estão em evidência os sermões textuais e os expositivos, sendo que os textuais se restringem a um texto curto da Bíblia, que será orbitado pelas ilustrações e argumentos do pregador do início ao fim da mensagem, já o sermão expositivo não se restringe a um pequeno texto, ao contrário, ele contemplará sempre mais do que três versículos e por conta disso não permitirá um trabalho minucioso sobre todas as palavras empregadas no sermão, será necessário escolher bem os comentários e os esclarecimentos, mas é o tipo de sermão considerado de maior exigência de preparo, é um sermão que primeiro impactará o pregador, que o levará a orar mais, estudar mais e se tornar cada vez um pregador melhor. 

Os sermões temáticos ao contrário, não se restringem aos textos bíblicos, mas normalmente utilizam textos bíblicos para chancelarem o que se está sendo explicado como uma verdade bíblico-teológica, mas existe o perigo de o pregador não se referenciar pela Bíblia e não falar algo que realmente alimente os ouvintes, se ater a assuntos do cotidiano, lidos em jornais ou mesmo experiências pessoais. 

Espera-se do pregador um sermão estruturado com uma introdução feita sempre com oração e leitura do texto bíblico, na sequência o que é chamado de exórdio, quando o pregador atrairá a atenção dos ouvintes. Se o pregador não for eficiente na parte do exórdio, dificilmente terá a atenção das pessoas até a conclusão da pregação. Em seguida se faz a explicação do texto bíblico e então se conclui a introdução com a proposição que é a proposta do sermão. 

Após a introdução o sermão segue com o seu corpo argumentativo, quando as questões abordadas na proposição serão minuciosamente respondidas e a isso chamamos de desenvolvimento. 

Outra parte importante para dar fluência e clareza ao discurso é a frase de transição porque ajuda a subdividir o desenvolvimento para se obter uma compreensão mais profunda. Essas frases não precisam ser enunciadas pelo pregador, mas o ajudarão a organizar o sermão. 

A conclusão ou peroração deve ser cuidadosamente preparada para que os ouvintes entendam o objetivo da pregação, “a moral da história”, uma argumentação que responde as questões abordadas durante a proposição e o desenvolvimento. Outra parte importante na conclusão é uma breve recapitulação e a apresentação de desafios que sejam relevantes para os ouvintes.

30 de out. de 2020

A Igreja e a Missão são inseparáveis

Somos a Igreja quando assumimos a responsabilidade confiada a nós como Igreja, tal como a perícope no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículo de 18 a 20: 

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! 

As últimas instruções de Jesus aos seus discípulos continuam sendo nossas últimas instruções e assim devemos proceder, anunciando as verdades sagradas por toda a Terra até o fim. Uma primeira observação é de que a compreensão da Grande Comissão esteve incorreta por um longo período de tempo enquanto se pensava que essa missão era estritamente transcultural, hoje temos a clareza de que mesmo no local onde estamos fixados, seja onde for, assim que nos tornamos Igreja, ou seja, parte do Corpo de Cristo, automaticamente estamos em meio a Missão. A questão é se vamos cumprir a missão ou não. 

Segundo Blauw (1966) a Igreja é testemunha de Cristo no mundo, ou então não será Igreja obediente a Cristo, trata-se da natureza missionária da Igreja, e isto deve ser feito sem ter como base os confins da Terra, sendo que o componente geográfico não é determinante para a Missão, esse foi um pensamento muito forte nos séculos XVIII e XIX. 

Compreendemos que o foco na missão transcultural teve e tem uma importância vital para a Igreja, precisamente, não podemos abandonar a missão transcultural, pois seria um novo erro, a Missão deve ser completa, a questão geográfica não deve ser vista como fator restritivo para a Missão, só assim será um componente legítimo. 

Existem muitos obstáculos para a Missão transcultural, tais como a opressão islâmica que não permite a conversão ao Cristianismo, ou ainda grupos radicais como Boko Haran que perseguem vilarejos cristãos na África Subsaariana, ateiam fogo em Igrejas e sequestram cristãos. Em países asiáticos é comum os governos restringirem a pregação do Evangelho, proibirem a leitura da Bíblia inteira ou parte dela, por motivos políticos via ideais do Comunismo Marxista ou por razões religiosas e culturais. 

Outra questão é o abandono das localidades onde a Igreja já está instalada, sem prestar qualquer auxílio à comunidade, não fazendo qualquer diferença em meio a suas atividades corriqueiras, repetitivas e sem impacto na sociedade. É um perigo muito grande a comunidade de fé estar à margem da sociedade, atribuindo para si um status de separada por ser sagrada, deixando de ser sal e luz, enfim deixando de ser a Igreja. 

Não importa se deixamos de atuar na missão no contexto local ou se deixamos de atuar nas missões transculturais. “Uma motivação baseada na autoproteção não nos conduzirá à Grande Comissão, mas sim a uma grande omissão (Borges, 2007)”. 

A princípio parece fácil a ação de fazer a diferença em sua cidade, seu bairro, local onde muitas pessoas te conhecem, mas a realidade é bem diferente, pois onde te conhecem também te julgarão pelo seu passado, podem inclusive não te respeitar por ações de antes de se posicionar como cristão, ou mesmo por ações quando já se apresentava como cristão, afinal de contas, não somos perfeitos. 

A falta de atenção na localidade ou um trabalho pouco relevante podem tornar um local outrora cheio de cristãos e de pessoas em recuperação num local sem qualquer fonte de esperança, compaixão ou acolhimento, um lugar sem fé, que dependerá novamente de uma missão transcultural vinda de longe para resgatar os valores e as virtudes cristãs. Seja na missão transcultural ou numa ação local, a verdade é que precisamos nos expor e isso é desconfortável, perigoso, desgastante, e ao mesmo tempo é o que nos faz sermos Igreja.

13 de out. de 2020

A falência pessoal e comunitária pela falta de propósito

Um dos motivos para a falência pessoal na atualidade é a falta de propósito, não saber qual é sua vocação e assim não ter um sentido para sua vida. Esse fenômeno chamado crise existencial afeta o ser humano especialmente quando ele não tem mais uma urgência ou emergência pessoal ou comunitária, por exemplo, uma crise financeira, enfermidade, problemas familiares, violência, entre outros. Todos esses infortúnios são um oponente contra o qual lutamos bravamente até que não precisemos mais, então, quando não se tem mais que sobreviver, começa a crise existencial. 

Na história da Igreja e do pensamento cristão não é muito diferente, pois enquanto era perseguida por judeus e romanos nos seus três primeiros séculos resistia bravamente enquanto anunciava as maravilhas de Deus onde estivesse presente. Quando a perseguição findou após o Édito de Milão no século IV a Igreja começou a se conformar ao seu mundo, e assim foi durante a Idade Média, com suas missões colonialistas, exploratórias e políticas. 

Após a Reforma Protestante de 1517 a Europa experimentou novamente o sabor e a iluminação de uma Igreja novamente centrada em Cristo, não perfeita, ainda cheia de subversões, mas voltando para o prumo, a vocação, propósito e chamado para o qual fora eleita. 

Segundo a análise exegética de Blauw (1966), do texto da Primeira Epístola do Apóstolo Pedro, no capítulo dois, nos versículos nove e 10, Deus chamou a Igreja, que somos todos nós cristãos de todos os séculos, das trevas, em sua desordem e falta de propósito, para sua luz, e nos deu títulos, tais como sacerdócio real, geração eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas Dele, sendo assim, quando aqueles que se consideram Igreja não cumprem a Missão, automaticamente perdem seus títulos e não devem mais considerarem-se povo de propriedade exclusiva de Deus, sacerdócio real, geração eleita e nação santa. 

A Igreja atual está parcialmente moldada conforme os anseios da sociedade, ganho de capital, segurança patrimonial, imediatismo e status. Mesmo denominações com trabalhos de expansão não conseguem esconder seu interesse em anunciar os seus números de templos, pessoas, arrecadações, tudo posses, tudo da Igreja. Em seus anúncios são ofertados milagres financeiros, são vendidas curas e mais bençãos sobrenaturais. Renunciaram seus títulos e não são mais povo de Deus, ainda assim acreditam que Deus pertença a eles e assim sendo o oferecem como um produto. 

A Igreja passa por uma crise existencial terrível e nesse contexto muitas pessoas que não estão em busca de alento para suas aflições pessoais também não encontram nela propósitos, por isso o fenômeno chamado “desigrejados”, pessoas que não vêm sentido em congregar, não querem um produto, não estão desesperados por cura ou sucesso financeiro, mas são carentes de ouvir sobre as maravilhas de Deus e de pertencerem a Ele. 

Pedro revela que Deus demonstra uma possessividade para com seu povo quando escreve: “Mas vocês são um povo escolhido, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo pertencente a Deus” (2.9).20 Com um a referência a Oséias 2.23, Pedro declara que os leitores que, no passado “não [eram] povo”, passaram a ser chamados de “povo de Deus” (2.10), isto é, Deus lhes deu um novo nascimento. (Kistemaker, 2006, p21) 

Ao pensarmos na Obra que nos foi confiada como Igreja, há uma inversão de valores, sendo que a Igreja não possui nada, assim como não possui Deus, também não possui a Missão, ao contrário, Deus possui a Igreja na medida que a Missão também possui a Igreja. Quando a Missão de Deus, Missio Dei, possui a Igreja e todo o trabalho que é executado por amor a Deus é planejado como tarefa intrínseca ao sentido de a Igreja existir, a isso podemos chamar de propósito, sem o qual não faz sentido algum congregar, pois deixamos de ser Igreja no sentido de povo de propriedade exclusiva de Deus e passamos a ser apenas igreja, no mesmo sentido do grego eklesia, apenas mais um ajuntamento. 

Pedro escreve para pessoas que estavam vivas antes da destruição do templo de Jerusalém. Ele próprio um judeu, Pedro se dirige a muitos cristãos judeus e cristãos de descendência gentia. Além disso, ele fala aos crentes de todas as épocas e lugares que lêm sua epístola. Conhecendo muito bem o Antigo Testamento, Pedro aplica as palavras dessa parte das Escrituras aos seus leitores, porque ele os vê como povo escolhido por Deus. Ele toma emprestada a profecia de Isaías, que registra as palavras do Senhor: “Ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.20,21). Pedro, portanto, vê os crentes como corpo de Cristo, isto é, a igreja. (Kistemaker, 2006, p.126) 

Nossa tarefa principal como Igreja é anunciarmos que é chegado o Reino de Deus e isso nós podemos fazer tanto por meio de textos, vídeos, áudios, por meio das artes, de maneira criativa, pela internet, pessoalmente, dentro e fora dos templos, em nossos locais de trabalho, escola, nossa comunidade, vizinhança, mas precisa ser essencialmente pelo nosso exemplo. 

10 de jul. de 2019

“O pastor precisa ter o cheiro das ovelhas” e agora as ovelhas estão na internet

Líderes religiosos conformados com a falta de conhecimento ou sem interesse pelo desconhecido têm sido defendidos com conceitos sem fundamentos, baseados na compreensão incorreta de textos bíblicos como, por exemplo, 2 Coríntios 3:6 em que o Apóstolo Paulo escreveu “Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”. O texto se refere ao juízo instituído na Lei Mosaica e não no conhecimento em geral, mas essa compreensão só pode ser feita por meio do estudo, algo refutado por quem acredita que o conhecimento é prejudicial à fé. 

Igrejas estão se esvaziando pela incapacidade dos ministros de se atualizarem e acompanharem as mudanças, seja no que diz respeito à Teologia, Ciência, Filosofia ou mesmo questões simples do dia a dia, pois agora a informação está ao alcance da comunidade em geral, muitas vezes na palma da mão. Em comunidades mais simples a barreira que separa o “pastor” de suas “ovelhas” é a resistência à revolução digital. Existe certa dificuldade de adaptação devido a pouca prática ou mesmo um saudosismo pelos bons tempos passados, digo isso sabendo que as memórias tendem a se embelezar e por isso é sempre nostálgico lembrar-se das longas conversas em bancos de praça ou mesmo tomando um café em uma sala aconchegante com bons amigos, bem diferente da fria e distante relação por meio das telas. 

O que não é percebido é que para ter uma informação antigamente era preciso ir a uma loja comprar um bom livro, ou mesmo se deslocar até uma biblioteca para pesquisar, diferentemente hoje podemos pesquisar no lugar onde estamos e em apenas alguns minutos ter as respostas. Nesse ambiente atual, torna-se indesculpável a falta de conhecimento dos líderes e a rejeição pelos novos mecanismos de pesquisa e formação do conhecimento.

As definições de líder foram atualizadas e já não são admitidas posturas autoritárias, possessivas e desinformadas, por isso há um abismo separando a geração anterior de líderes da atual geração que está sendo formada. Isso será prejudicial para todos, pois há a necessidade do aconselhamento e mentoreio dos novos líderes por parte dos líderes mais experientes. No entanto, as lideranças mais antigas não tem facilidade em agraciar os “novatos” com sua experiência de vida, uma vez que não se reconhece autoridade na juventude, isso é um problema evidente nas Igrejas, pois nas empresas e mesmo na política os jovens já lideram e são muito bem sucedidos. Precisamos permitir que a juventude esteja alinhada com a liderança da Igreja, caso contrário continuará a debandada de membros das Igrejas pra outros ambientes de convivência contemporâneos e julgados mais interessantes.

Há, é claro, muitos líderes antenados com as mudanças, homens e mulheres maduros e que estão presentes nas redes sociais, participam de conversas sobre política e mesmo questões do dia a dia, sem nenhuma pretensão de parecerem mais espirituais, são abertos ao diálogo, prontos também para ouvir e não apenas para falar e que não se julgam acima dos demais. É exatamente o tipo de líder que se espera seguir na atualidade. 

Estes são os que estão preparando novos líderes para as novas gerações, dispostos a aprender e melhor ainda a compreender, seja o diferente, seja o opositor, ou mesmo conceitos que possam parecer insignificantes para uma pessoa comum, mas para o líder atualizado o saber é uma prioridade. A liderança não pode ignorar questões epistemológicas, sendo que é impreterível refletir sobre os por quês em nossa existência, seja como indivíduos ou como sociedade, questionar-se sobre sua vocação, sobre a vocação das pessoas que estão a sua volta e até mesmo sobre a vocação da Igreja, sem hipocrisia ou fantasia de uma sociedade terrena perfeita, ponderando inclusive sobre a ética e sobre a moralidade e não apenas repetindo o que foi dito anteriormente.

O diálogo deve estar sempre aberto com o conhecimento científico, mas sem compromisso de comprovação das verdades teológicas, pois não é possível realizar experimentos que validem a teologia, uma vez que a teologia abarca as questões do “além”, também chamada metafísica, no entanto, é possível conciliar questões teológicas como a Cosmologia com as descobertas científicas contemporâneas ou mesmo questões Escatológicas relacionadas aos mais recentes avanços tecnológicos. São apenas exemplos de conciliação e as pessoas estão ávidas por esse tipo de informação para ampliarem sua compreensão sobre a fé.

Não é necessário passar a se comportar como um youtuber para entreter os fiéis da nova geração, mas a compreensão do momento em que vivemos, estar contextualizado e não alienado, é fundamental para a comunicação do ministro com os membros da comunidade. Para tanto o líder religioso precisa estar constantemente se comunicando com seus liderados, seja pessoalmente, por rádio, televisão, internet ou mais precisamente mídias sociais, onde as pessoas passam boa parte de seu tempo.

28 de dez. de 2018

Profecias, a perspectiva do Antigo Testamento e a perspectiva atual


Os profetas do Antigo Testamento ousavam enfrentar toda uma nação e pagar o preço que fosse necessário para anunciar as Palavras do Eterno.

Isaias fazia previsões apocalípticas e pregava sobre o juízo com profecias fúnebres sobre os destinatários.

Jeremias era engajado nas questões sociais, não usava abstrações ou generalizações para denunciar os abusos dos ricos, pois os identificava e assim se tornou adversário de toda uma classe de líderes e religiosos em Israel. Ele experimentou o ódio do rei e descrédito de seus pares profetas em um jogo de inversões no qual ele era taxado de falso profeta porque profetizava a verdade, a ruína do povo, enquanto os falsos profetas agradavam o rei e se mantinham confortáveis em suas posições na corte, mas sendo falsos profetas, enganavam-se uns aos outros.

No cativeiro da Babilônia, Ezequiel revelou suas memórias, anunciou a revelação divina do Eterno enquanto vivia entre escravos e usando a ironia profetizou sobre a queda da Babilônia. Sua profecia era de restauração de Israel, utilizava simbologias usando o reino animal e fazia lamentações fúnebres.

 O ministério dos profetas no Antigo Testamento mantinha as tribos unidas, um tanto civilizadas e a convivência era facilitada por esse agente social encarregado de proclamar a vontade de Deus. Essas proclamações e todo o cuidado do profeta com o povo era feito por meio das profecias, fossem elas orais ou escritas.

O mistério de profetizar o que acontecerá no futuro era creditado a Deus caso se cumprisse a profecia e assim o profeta era confirmado como verdadeiro se sua profecia fosse verdadeira, mas caso a profecia não se cumprisse o profeta passaria a ser considerado um falso profeta por sua profecia ser falsa e a origem da profecia era atribuída a ele mesmo. 

Hoje em dia pessoas se dizem profetas ou adivinhos, mas caso suas palavras não se cumpram elas alegam que “Deus mudou de ideia”. Por isso há muitos que desacreditam da profecia na atualidade.
Pessoas são manipuladas por falsos profetas ou falsas profecias, tomam decisões muito importantes e arcam com consequências das mais diversas, como falência nos negócios, relacionamentos e até casamentos precipitados, trabalho sacerdotal sem vocação entre outros.

Vertentes teológicas não acreditam na profecia na atualidade, assim como não acreditam no milagre da cura e da glossolalia por exemplo. Pautam-se na crença de que somente as escrituras sagradas são a revelação do Eterno e não é necessário qualquer adicional, considerando tais fenômenos puramente humanos e não espirituais.

Outras correntes afirmam que o dom de profetizar continua vivo e serve para a edificação da Igreja. Essa afirmação está de acordo com os escritos do Novo Testamento, mais precisamente do Apóstolo Paulo, mas tem sido subvertida e utilizada para autopromoção e também para massagear os egos de pessoas carentes e muitas vezes sem qualquer outra esperança se não na busca pela manifestação do sobrenatural.

Atualmente a profecia normalmente não é feita de maneira negativa, principalmente por que vivemos numa era de incessante busca pelo bem estar e pela promoção pessoal e a ultima coisa que as pessoas querem é fazer inimigos poderosos.

Outra forma de se observar a profecia em nossos dias é pela ótica positivista de que devemos determinar algo com fé e autoridade, dando a essa atitude também o nome de profecia, mas quando não ocorre conforme a “determinação” a alegação varia entre a de que “não era a vontade de Deus” ou a de que “faltou fé”. Em todo caso a origem é humana e a profecia, apesar de não poder chamar de charlatanismo, classificaria como uma péssima escolha de nome, pois na verdade é um equivoco teológico chama-la de profecia, pois se trata de uma oração com fé. Concluindo esse ponto sobre profetizar com fé acrescento que a exemplo dos profetas do Antigo Testamento uma profecia é a vontade de Deus revelada aos homens e não a vontade dos homens revelada a Deus, pois isso, novamente, se chama oração.

Há muitos outros perigos na atualidade como, por exemplo, anunciar a própria Palavra de Deus revelada nas escrituras, o que contraria muitos segmentos da sociedade e suas práticas, além disso, em muitos países as escrituras são proibidas de serem anunciadas e muitos cristãos padecem por isso.

Os profetas da atualidade são os homens e mulheres que não temem a morte e anunciam a Palavra, por amor a Deus, abrindo mão do próprio bem estar e nunca, em hipótese alguma, se deixam levar pelos agrados desta vida para fazer “profecias agradáveis” aos reis. 

24 de dez. de 2018

Autocontrole

Citado por Paulo como virtude cristã, juntamente à hospitalidade, benignidade, sobriedade, justiça e piedade. Tito 1:8


Por quê?

Deus criou o homem para que dominasse sobre todos os animais da terra, sobre todas as aves dos céus e sobre toda a criação, de maneira que serviria a somente um Senhor, exercendo assim o auto-controle.

Citado por Pedro juntamente de conhecimento, perseverança e piedade. 2 Pedro 1:6.

Observe que Paulo e Pedro tiveram ensinamentos distintos, Pedro aprendeu o Evangelho diretamente com Jesus, de diferente forma, Paulo era um Fariseu, pertencendo ao Sinédrio, formado no colégio Gamaliel, era um doutor da Lei, mas ambos descrevem como parte fundamental do caráter cristão.

Do grego: Egkrateia, cuja raiz “kratos” significa “ter domínio sobre”, “exercer poder sobre”, “ter autoridade sobre”. O termo se relaciona à autoridade.

Sinônimos: Domínio Próprio e Temperança

Aplicação: Disciplinar-se corpo e mente, para superar a dificuldade de concentração, ou para não se precipitar em um momento de ira, ou até mesmo resistir a impulsos naturais.

Podemos entender melhor a aplicação prática do "domínio próprio" pensando no oposto, ou seja, quem não tem o "domínio próprio" é certamente dominado por algo.

Pode ser dominado pela Paixão e assim cometer pecados, tais como, Prostituição, Impureza e Lascívia.

Dominado por uma Circunstância, pode desesperar-se e então se valer de idolatria ou feitiçaria.

Se for dominado pela vaidade, sempre tentará superar o próximo, podendo causar: Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções e invejas.

Caso não domine o próprio ventre: Glutonarias e Bebedices.

Conforme está escrito em Gálatas capítulo 5 versículos 19 e 20:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus

É preciso então escolher os bons sentimentos e as boas atitudes, para os quais não há condenação e não se deixar dominar pelos impulsos para não ter que arcar com as suas consequências.  



21 de dez. de 2018

O que é o Natal?


Todos nós sabemos que a comemoração do Nascimento do Messias é uma festa digna, mas cheia de distorções, vamos falar só um pouquinho sobre isso, porque a mensagem mais importante é que Jesus Nasceu.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz."

IS 9:6

Mesmo que a data esteja errada, o que não ocorre por simples equivoco, pois os Romanos que instituíram a data no século IV, o fizeram porque comemoravam a festa da chegada do inverno, é uma excelente oportunidade para conscientizarmos as pessoas sobre a necessidade de aprender de Deus, aprender sobre Jesus Cristo, não apenas sua história, mas aprender a como servi-lo.

Jesus Nasceu, de maneira milagrosa, cresceu e mostrou o caminho para Deus, entregou-se como sacrifício expiatório, ressuscitou e foi nos preparar um lugar, recebeu um nome que foi posto pelo Pai acima de todo nome, dividiu a nossa história, e ainda hoje tem feito grandes coisas em nosso meio, assim cremos. Infelizmente sua mensagem e história são colocadas por muitos em segundo plano.


O Papai Noel - Estudiosos afirmam que a figura do "bom velhinho" foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de "bom coração", costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele. A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

É muito triste que crianças sejam ensinadas a escrever cartinhas para o Papai Noel e nem ao menos saber o significado de Messias, ou Cristo ou ainda serem ensinadas a serem comportadas para ganhar presentes, quando na verdade deveriam ser formadas segundo os preceitos de Deus.


Árvore de Natal - Sua origem mais remota está ligada às civilizações antigas e às festas pagãs em comemoração ao solstício de inverno no Hemisfério Norte, onde temos o dia mais curto e a noite mais longa do ano. Enfeitar árvores é um ritual antiquíssimo, presente em praticamente todas as culturas e religiões pagãs, para celebrar a fertilidade da natureza. Atribui-se a São Bonifácio, no século VIII, sua origem. Chegado à Alemanha, como missionário, substituiu o culto a Odin pela árvore de Natal. 

É tradição em muitas famílias montar árvores de natal e colocar os presentes embaixo dela, mas como aprendi há muitos anos atras que não deveria fazê-lo e mantive desde então a decisão de não enfeitar a nossa casa com árvores de natal e demais adornos natalinos, embora não fique pressionando os amigos e parentes para fazerem igual.

"Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus."

Rm 14:5-6


Presépio - uma forma de encenação do nascimento de Jesus, utilizando esculturas que simbolizam José e Maria, além do próprio menino Jesus e os animais que estariam com eles no estábulo. A criação do primeiro presépio é atribuída a São Francisco de Assis, que o teria construído em 1223, na cidade italiana de Greccio. Ele queria mostrar aos camponeses como tinha sido a noite do nascimento de Jesus, mas não sabia como fazer. Foi então que teve a ideia de pegar argila e montar vários bonecos para simbolizar os personagens daquela noite tão simbólica quanto sagrada para os cristãos.

Embora eu não tenha o hábito de expor a encenação do nascimento do messias como algumas pessoas o fazem, também não vejo qualquer problema em fazê-lo, desde que seja apenas uma obra de arte e nada mais que isso, pois não deve tomar o lugar no coração como um ídolo, 


O mais importante é que Jesus nasceu e que neste Natal possamos engrandecer o seu nome acima de tudo e de todos. 

14 de dez. de 2018

O mito da interferência da Igreja sobre o Estado e seu ateísmo velado

É comum atualmente ouvirmos ativistas de diversos segmentos da sociedade com práticas contrárias às diretrizes mais básicas do cristianismo advertirem para o fato de o Estado ser laico e por conta disso não ser correto ter interferência dos preceitos cristãos. No entanto um estado laico e democrático deve ser regido conforme o consenso da maioria e não baseado nos conceitos e filosofias de uma minoria. As minorias precisam ter os seus direitos inalienáveis como seres humanos preservados pelo Estado e isso se deve ao fato de estar totalmente de acordo com os princípios cristãos de justiça, compaixão e caridade, não por acaso, mas por sermos uma nação majoritariamente cristã.

Os representantes cristãos do poder legislativo são severamente atacados como retrógrados, alienados, antiquados e até mesmo a Bíblia Sagrada sofre ataques de grupos que se sentem constrangidos pelas demandas dos cristãos e por vezes até mesmo reiteram seu desprezo pelos que professam sua fé em Deus e em Cristo. Há claramente uma ideia injusta de que os valores cristãos devem ser deixados de lado enquanto os pensamentos dos opositores devem ser respeitados e colocados em prática. Essa ideia não é de um Estado laico, mas de um Estado Ateu, como na Europa Oriental, em países como a Albânia em que o cristianismo sofreu severa perseguição e havia a idolatria ao partido que governava.

Essa história não começou a pouco tempo, mas há mais de dois mil anos, quando o Império Romano dominava o oriente médio e em Jerusalém havia um grupo de homens e mulheres que anunciavam um novo Rei, eles foram perseguidos e mortos pelo Estado. Assim continuou por mais três séculos até que o Estado assimilou a doutrina desses homens e o Estado passou a ser cristão por decreto do Imperador Constantino. No século IV a Igreja passou a ser uma instituição reconhecida pelo Estado e se desenvolveu dentro do Império Romano.

Com a queda do Império Romano no século V, a Igreja não desapareceu, mas continuou sendo uma instituição forte, no século VIII, por exemplo, o Papa Zacarias havia tirado Childerico do trono francês para coroar Pepino, o Breve, supostamente abrindo precedente para o Papa nomear e depor reis. Na prática não foi o que aconteceu, pois pouquíssimos Papas tiveram realmente destaque e autoridade para intervir em assuntos do Estado, pois na maior parte do tempo os papas eram na verdade nomeados para atender as demandas de determinados partidos e na maioria dos casos para atender os interesses do rei.

No século X foi estabelecido o Sacro Império Romano e toda a cristandade era governada por um imperador que regia tanto o Estado como a Igreja. O Papa figurava como líder máximo da Igreja, mas quem articulava quem seriam os papas era o Estado. A história conta que no século XI o Rei Henrique III nomeou três papas, sendo eles o papa Bento IX, que foi expulso de Roma, depois foi nomeado Clemente II, na tentativa de recuperar a dignidade da Igreja, mas foi preciso ainda nomear outro papa, agora foi nomeado seu primo, Bruno, que utilizou o nome Leão IX. A partir de então surgiu um forte sentimento de repudio ao controle do Estado sobre a Igreja, isso porque havia a preocupação de o imperador ser mal e nesse caso não se saberia o que poderia acontecer com a Igreja.

Durante o reinado de Henrique IV e o papado de Gregório VII, foi redigido um documento chamado Dictatus, que condenava o controle da Igreja pelo Estado. A história se passa durante o Feudalismo, período em que a autoridade era do senhor feudal e dos monarcas, sendo que todos deveriam estar debaixo da autoridade dos barões e dos reis, o mesmo acontecia com a Igreja. Esse documento foi um marco, pois é a declaração de independência da Igreja, indicando que o Imperador é quem deve prestar contas ao Papa e que o Papa só deve prestar contas a Deus. Ocorreu que morreu o arcebispo de Milão e imediatamente o Rei Henrique IV nomeou um novo bispo de sua confiança. Essa atitude contrariava o Dictatus, e por isso o Papa Gregório VII excomungou o Rei. Henrique IV então se humilhou perante o Papa que o perdoou, mas passado algum tempo voltaram a se enfrentar.

Foi Henrique V quem resolveu o dilema, na segunda tentativa, pois na primeira fora muito radical querendo que a Igreja renunciasse todas as suas terras em troca de sua liberdade, pois bem, na segunda tentativa propôs o acordo de que o Estado nomearia os bispos com base nos princípios do Feudalismo, que chamamos de Investidura Leiga e a Igreja precisaria concordar outorgando autoridade eclesiástica por meio de objetos dados aos clérigos, anéis, báculos ou cajados de pastor. Isso não impediu que o Estado e a Igreja voltassem a se ressentir no futuro, mas foi a melhor solução possível durante a idade média.

Ironicamente, Henrique VIII, no século XVI, foi quem separou a Igreja Inglesa da Igreja Católica Romana, fundando uma Igreja da qual ele mesmo seria o Regente Máximo, algo que perdura até hoje, tendo a atual rainha da Inglaterra como líder da Igreja Anglicana.

Muitos países, tais como França, os Estados Unidos e o Brasil tem em sua constituição artigos que impedem qualquer interferência da Igreja em suas decisões, assim como está assegurado o direito de todo cidadão ter sua fé e prática religiosa respeitados. No Brasil, no entanto, ocorre o seguinte fenômeno, quando a Igreja precisa usar um espaço público, ele pode ser recusado sob a alegação de que o Estado é laico, mas quando uma comunidade que não professa fé alguma pede para usar o espaço do Estado, ela é atendida, isso é um comportamento de Estado ateu e não de um Estado laico em que todos devem ser tratados com igualdade, sendo Igreja ou não.

10 de dez. de 2018

O que faremos com as crianças?


Pouco se discute sobre o lugar ou o melhor método para lidar com as crianças em nossas reuniões e é realmente muito bom nos prepararmos para isso academicamente, pois não é justo com as nossas crianças que os pastores e líderes estejam despreparados para servi-los e assim não atenderem às suas necessidades durante a infância.

Ouvi muitos líderes dizerem que as crianças serão a Igreja de amanhã, mas isso não deveria significar que elas não são a Igreja de hoje e que não necessitam de atenção, o que ocorre de fato é que muitos líderes de Igrejas entregam os cuidados das crianças a pessoas despreparadas e não acompanham o programa da igreja local para as crianças. Não acredito que seja por desprezo, mas por despreparo de nossas lideranças.

As crianças serão a Igreja de amanhã somente se forem bem cuidadas, ministradas com toda diligência e devidamente pastoreadas como todas as outras “ovelhas do rebanho”. Para tanto, precisamos de líderes que entendam que as crianças são a Igreja de hoje e são também servos, adoradores e ministradores como os demais membros.

Crianças sempre estiveram envolvidas nas liturgias das Cerimônias no Antigo Israel, por exemplo, no livro de Êxodo 12:24-27, com a orientação para os Israelitas de que quando as crianças perguntassem sobre o motivo da celebração do Pessah, eles deveriam explicar sobre o livramento dos primogênitos dos Hebreus e a morte dos primogênitos dos Egípcios e assim a tradição oral seria passada de geração a geração e eles assim o fizeram.

Elas podem ter o seu espaço na reunião como os demais membros, pois muitos pensam que as crianças não são capazes de trazer um versículo para meditação, atuar ou apresentar uma dança com a devida competência, cantar ou tocar instrumentos com excelência, ajudar na limpeza, no acolhimento de convidados e tantos outros trabalhos como qualquer outro membro.

Existe é claro uma diferença muito grande entre as capacidades de cada criança, assim como entre os adultos, pois não se pode esperar que um membro recém-chegado a comunidade de fé explique um texto bíblico da mesma maneira que um membro mais antigo, formado em Teologia e com certa experiência em ensinar. Logo uma criança que cresce participando dos cultos e desenvolve as habilidades necessárias deve ter também a oportunidade de participar de maneira ativa. Cito o exemplo de Samuel que desde criança serviu no Templo ministrando diante do Senhor. (1 Sm 2:18).
Qual a melhor maneira de organizarmos os nossos cultos pensando nos resultados decorrentes desta estratégia?

Ramos (2008, p.79) orienta os líderes a elaborarem um culto inclusivo em que as crianças possam participar inclusive da mensagem e que esta seja de possível compreensão, para elas, além dos momentos de oferta, adoração e demais sacramentos para que cresçam compreendendo que participam do corpo e não tenham a impressão de que nunca foram bem vindas à nave da Igreja. Isso é possível, mas a aplicação prática é um grande desafio para nós que ainda precisamos evoluir como Igreja para produzirmos esse resultado e por isso acredito que perdurará o modelo em que parte do culto, por ser de difícil compreensão para as crianças, pois não são capazes de ficar quietos por horas ouvindo sermões e mesmo que fiquem quietos por obediência não compreenderão a mensagem, sendo assim, elas receberão atenção em outro espaço, não porque queremos “nos livrar delas”, mas porque elas precisam de atenção e de uma ministração que possam compreender e guardar em seus corações desde pequenos e infelizmente a Igreja Cristã Brasileira em geral não está pronta para fazê-lo como sugere o autor.

Um caminho viável é a elaboração de um culto semanal, mensal ou ao menos esporádico em que a dinâmica seja pensada prioritariamente para crianças e que os adultos possam cultuar junto com elas e desfrutar daqueles momentos com os filhos e serem ministrados de maneira simples e objetiva, com músicas cristãs de teor mais pedagógico e com muitas ilustrações, encenações, animações etc.

As crianças também devem ser evangelizadas, pois não devemos pensar apenas em como lidar com nossas crianças, mas podemos atrair a atenção de outras crianças e fazê-las sentirem-se a vontade em nosso meio promovendo eventos com brincadeiras e apresentações voltadas para elas. Evangelização não é somente para adultos e devemos encher os nossos cultos de crianças conforme as palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.” (Mt 19:14).

13 de nov. de 2018

O que a Fé não é


Sobre a Fé, constatamos que é o meio de salvação em Cristo Jesus, com atitude de obediência e que produz um resultado em nós e no lugar onde estamos inseridos. Vimos também que a fé é uma condição para agradar a Deus e o motivo para continuarmos a jornada esperançosos e constantes.
O que vamos ver hoje são conceitos e valores que podem parecer fé, mas são outra coisa, não necessariamente ruins, mas não são a Fé salvadora e não são condições para se servir a Deus.


  • Tradições - Fazem parte de quem nós somos, mas como sempre ouvi desde a minha infância, filho de crente não é crentinho não, fazendo uma analogia ao ditado filho de peixe, peixinho é, deixando claro que concordar com os mandamentos e mesmo dizer frases como “já tenho Jesus no coração” de nada valem. Todos os anos indo para a igreja, o convívio com os irmãos e com pastores, não são fé, são muito importantes, mas não é a Fé, é apenas história.


  • Conhecimento - Necessário para que o homem tenha conhecimento sobre a pessoa e obra de Cristo: “como crerão naquele de quem nada ouviram?”. Mas conhecimento de fatos sobre Deus ou Cristo não é suficiente porque muitos apóstatas têm conhecimento de Deus e os demônios também têm conhecimento da pessoa e das obras de Deus. Isso é verdade e por isso muitos acreditam que o estudo afasta o cristão do Evangelho, outra falácia, na verdade o estudo não tem nem o poder de afastar e nem o poder de aproximar as pessoas de Deus.


  • Experiências – Ter visto milagres e mesmo tendo já visto anjos ou demônios em eventos sobrenaturais não são garantia de fé salvadora, pois mesmo tendo testemunhado muitos milagres muitos da multidão que seguiam a Jesus deixaram de segui-lo e se perderam pelo caminho. Ter já expulsado demônios, orado em línguas e curado enfermos também não são a prova da fé salvadora, como o próprio Senhor Jesus disse que naquele dia muitos clamariam dizendo tudo isso e Ele dirá “apartai-vos de mim porque não vos conheço”.


  • Emoção – Quem nunca foi impactado por uma peça de teatro, ou mesmo por um grande pregador eloquente ou mesmo um belo filme e se emocionou a ponto de chorar? Lamento dizer isso, mas emoção também não é Fé. Ter chorado e se lamentado pelo sofrimento de Cristo é comum a todo ser humano, cristão ou não, e mais, chorar a gente chora com qualquer filósofo dizendo belas palavras ou mesmo assistindo um Blockbuster como Armagedon, Impacto Profundo ou Titanic.


1 de set. de 2018

Mover a Montanha


"Observou-lhes Jesus: “Tende fé em Deus! E, com toda a certeza eu vos asseguro, que se qualquer pessoa ordenar a este monte: ‘Levanta-te e lança-te no mar, e não houver dúvida em seu coração, mas crer que se realizará o que pede, assim lhe será feito’. Portanto, vos afirmo: Tudo quanto em oração pedirdes, tenhais fé que já o recebestes, e assim vos sucederá."

Mc 11: 22-24


A fé para mover a montanha todos nós já temos. Se não tivéssemos não buscaríamos a face de Deus.
O que falta então? Precisamos nos perguntar qual seria o propósito de mover a montanha.

Há certa dualidade no significado da montanha para o povo judeu, pois se por um lado a montanha significa o lugar “mais alto”, onde os deuses desceriam para encontrar os homens, além de uma vantagem militar como forma de proteção contra invasões, por outro lado a montanha também significa um grande desafio, pois para passar pela montanha era necessário escalar, o que envolveria muitos riscos, ou dar a volta, o que poderia tornar a viagem muito mais longa. Pensou, nesse contexto simplesmente mover uma montanha e tirá-la do seu caminho?

Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre o fermento dos fariseus ele estava falando sobre fermento mesmo ou era um símbolo? Quando Ele falou para tirar a trave do olho antes de julgar o irmão, ele estava falando de uma trave mesmo no olho? São metáforas do Mestre.

Quando decidimos viver a vontade de Deus, Ele investe pesado, usando pessoas, fazendo acontecerem muitas “coincidências”, muitos encontros e desencontros, idas e vindas, mas tem momentos que precisamos superar uma montanha. A questão principal é ter a fé certa e essa fé precisa ser em Deus, mas não a de que Ele pode fazer, e sim a de que Ele realmente se importa em fazer e fará.

Se o propósito for o de verem a Glória Dele no esforço do aspirante a alpinista, nada de mover a montanha. Se o propósito Dele for o de que você encontre algum samaritano ou samaritana ao passar por Samaria, então nada de tirar a montanha do caminho, mas se o propósito Dele for realizar um milagre tremendo como sinal para que creiam, não duvide, a porção imensa de terra vai se deslocar.
Isso não é acreditar na fé, mas contar com Deus e viver sobrenaturalmente.

"E quando pedis não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres."

Tg 4:3


O problema não está em Deus, é claro, o problema não está na fé que já temos, mas nos falta propósito para vermos a glória de Deus. A Fé que move a montanha é para quem tem propósito, para quem decidiu ser discípulo do Mestre.